Nós somos reféns daquilo que sabemos dos outros — sejam omissões, mentiras ou verdades.

* * *

Tinha planejado postar algo hoje.

Seria uma foto de uma página de um livro; não é um excerto belo — pelo menos não na concepção comum de ‘belo’. Mas é significativo. Fala do que é o gesto na aproximação de duas pessoas.

Foi também hoje que recebi uma carta de uma moça pra quem escrevi (vejam só, há mais ou menos um ano e meio), falando de como está, e que conseguiu se libertar de um relacionamento abusivo (e agora isso tudo chega a ser “irônico”, como uma típica piada de mau gosto — dessas que a vida adora nos contar de tempos em tempos).

Mas, afinal, as horas passaram, e os sentimentos e o timing também…

… porque hoje eu descobri algo que é um ponto sem volta.

Há dois anos o conheci, em certa circunstância. Quando ela passou, ainda que com mil ressalvas, acabei decidindo lhe dar uma “chance”.

Passamos uma noite juntos no começo de outubro, e foi awkward, desajeitado, mas não necessariamente ruim. Em um momento ele insistiu em fazer algo que eu não queria, mas, frente às minhas negativas, acabou desistindo. Ainda assim, não rolou um climão.

O depois foi cheio de pontos pra processar, mas aquela noite não se repetiu, por N motivos (existentes ou auto-impostos). E eu me arrependi disso — até então (?!).

Antes tarde do que nunca, suponho. Mas… como…?!

……..

Há um ano, aproximadamente, postei aqui uma imagem de um filme, que tem, na minha opinião, uma fala muito emblemática:

“We accept the love we think we deserve”.

Talvez eu já conhecesse essa fala, do livro ou do filme; não lembro.

No entanto, por mais que não, já naquela época, eu pensava em coisas assim. Inclusive, um dos motivos pra me afastar foi por achar que eu precisava me proteger, e acreditar que eu merecia mais.

E eu não sei se mereço; talvez não. Possivelmente não — porque, infelizmente, não existe essa coisa de “merecer”.

Mas, ainda assim, às vezes eu gosto de acreditar que sim.

E, de um jeito ou de outro, nem assim eu pareço me ajudar.

Ainda vai demorar um bom tempo pra digerir isso.

Damn…

E descobrir isso agora, na minha atual conjuntura, de certa forma é pior ainda.

(Eu nem sei exatamente como estou me sentindo agora… em algum lugar entre triste, confusa e cansada, provavelmente.)

The revolution will not be televised

 

Noite de 22 de novembro.

 

5 minutos.

Lugar certo, na hora errada…?

“Vai bater em mulher? Vai bater em mulher?!”

“Vou! Vou bater em mulher!!!”

Poderia ter sido eu; eu também estava no caminho. Poderia ter sido a minha irmã, a professora, a outra menina… Mas foi ela.

Fomos todas nós.

Ele não bateu nela, mas, de alguma forma, ela foi bastante agredida.

E nós todas também.

Eles nos agrediram; a nós todos. Também.

Isso tudo ainda me angustia muito, e eu não sei se vai passar. As noites tem sido mais mal dormidas que o “comum”.

 

A vida é mesmo feita de momentos. E esse vai ficar gravado na nossa memória, pra sempre.

Eu não vou esquecer — e nem quero.

(Firme!)

Bala perdida

21:50, Qui 26/03/2015

Saio em disparada e atravesso tudo o que há no caminho. Paredes, pessoas, água, fogo, terra e ar. Me movimento tão rapidamente que alguns e algumas mal me veem passar.

Não era a minha intenção, realmente. Mas estou ali, seguindo em frente, sem sequer ter como parar.

Nem sei se deveria querer isso. Não sei nem se de fato tenho querer.

Você me vê chegando e o teu coração acelera.

A adrenalina é liberada, mas você estanca, sem reação.

O sangue, que ora corre e pulsa nas tuas artérias e veias, é o que agora tinge a tua camisa branca de vivo vermelho.

Me desculpa; não acho que deveria ser exatamente assim.

Mas é no teu peito que eu vou repousar.

Tudo bem se você cair agora; o chão há de aparar a tua queda.

Agora faço parte de ti; somos um.

Me desculpe também se te faço mais fraco; não foi uma escolha, e, como disse, nem acho que era pra ser. Porém, agora assim será. Assim já é.

Não era você o meu alvo; ainda assim te acertei. Acertei e aceitei. Me aceita também?

Aceita essa sorte incerta – talvez seja melhor assim.

Você me parou; obrigada. É possível que eu vá com você a partir de agora, não importa para onde você há for.

Tentarei não incomodar (ainda mais), mas acho que a lembrança e a marca serão eternas.

No entanto ficarei aqui, quietinha e imóvel, se você me deixar ficar. Essa jornada involuntária já me bastou; agora eu prefiro ficar cravada na tua carne.

Se eu fui uma bala perdida, acho que agora me achei em ti.