Dia 36

 

Um grito ele amou
Lençóis e colchas vão se encontrar
Não é mais dia 26 (…)”

 

Hoje eu já chorei. Mas preciso chorar muito mais — até que, quem sabe, passe esse desejo de não mais viver.

Escutando uma música muito bonita e triste, que me acompanha desde a adolescência, não consegui segurar minhas lágrimas; pensei em todas as coisas que me oprimem — inclusive e principalmente as saudades.

Saudades do meu pai (e dos tempos em que nossa relação era melhor — e existente), de momentos de mais carinho, de épocas nas quais ainda não havia ouvido tantas palavras duras e nem havia apanhado tanto de pessoas próximas, de quando eu era uma criança de 5 anos, tagarela e feliz, de ser mais ingênua, de abraços e colos, de sentir que meus esforços valeriam a pena, de sentir e saber que ainda tenho apoio e alguém que quer e vai tentar me entender, dos meus 17, quando eu ainda tinha esperanças mais descomplicadas de achar meu rumo na vida (ainda que eu já soubesse que havia algo de errado), de ter mais tempo e sanidade, de me sentir menos cansada e com menos dor, de não me sentir preterida, inferior e indigna, de ter planos mais concretos, de saber lidar de forma mais leve com as minhas responsabilidades, de momentos do passado e de acreditar que há um futuro, … de amar de modo sincero e sem travas e de me sentir amada.

Saudades do amor.

Hoje eu já não quero mais pensar. Hoje já não é mais dia 26 — e nunca mais será.

28/05: Nesta tarde me abri com uma amiga. Contei pra ela coisas que penso há tempos, em relação a como me sinto, e que nunca havia contado pra ninguém. Ela me perguntou se eu pretendia fazer alguma coisa “reckless, let’s put it this way”, e eu lhe disse que não, que ela podia relaxar.

Mas, na verdade, na verdade, eu só acho que não. Quer dizer… o que é de fato ‘reckless’?

Ao lado meu

Eu já estou sentindo aquele típico nó na garganta, que logo tranca meu nariz e meu coração.

Me lembrei agora que foi nesse mesmo sofá, onde estou agora, que você sentou ao lado meu.

A manhã era fria, e eu te peguei na universidade. Ia te mostrar uns fósseis, mas acabei me esquecendo de levar a chave do laboratório… Acabou que de lá viemos para cá, pra matar um tempo.

Você sentou na ponta da esquerda, e eu sentei no lugar do meio. Meu joelho doía, então estava com uma bolsa de gel fria, e as pernas em cima do seu colo.

Você me abraçou, e aquele foi o melhor presente de aniversário que eu poderia ter recebido — ainda que você não soubesse antes que era naquele dia (teria feito diferença?).

O momento não durou muito, infelizmente; logo tivemos que sair. Mas durou o suficiente pra ficar pra sempre na minha memória — ou melhor: para se juntar à todas as outras.

Naquela época mesmo as coisas mais insignificantes rapidamente se preencheram de sentido e valor — ao ponto de, até hoje, tantos signos me remeterem às mesmas imagens mentais.

Enfim… Não sei se fui enfática o bastante, mas fui grata. Sou, até hoje.

E esse episódio já tem um pouco mais de três anos…

Acho que cada momento tem mesmo um começo, um meio, e uma data de validade (que nos é) misteriosa, que marca o inevitável fim.

Sleepmumbler

Some time between October 17th and 18th, Saturday or Sunday

Summer time has begun, and it took an hour of precious time with it. And I’ve spent the last 60 minutes (at least) thinking about ghosts from the past and about my “lost” blanket (since, in an unexpected weather change, it’s cold outside).

I’ve thought about him, her, them and you. And about me too.

When it is over, it will bring me one hour back — literally back.

One hour, which will be fully enjoyed in its own moment.

Even though the end of this thought seems weird, it somehow makes sense in my head.

Saudade , confusion and misplacement are royal bitches.

Divagação 5: breve comentário sobre encontros e desencontros

Meados de setembro, 2015

“Como um gatilho sem disparar
você invade mais um lugar onde eu não vou…”

Uma vez ela me disse que poderiam se passar vinte anos e, ainda assim, eu provavelmente não teria controle da minha reação se eu o visse; ela disse que meu coração, assim como o de tantas outras pessoas, em tantas outras situações (similares ou não), provavelmente iria acelerar, sem que eu pudesse impedir isso.

As vezes eu tenho a sensação de que, ao dobrar esta ou aquela esquina, um dia vamos dar bem de cara um com o outro. Mas as vezes tenho a sensação de que não nos veremos nunca mais.

E eu não faço a mínima ideia de qual perspectiva me “assusta” mais.

(… ainda que eu saiba qual eu mais gostaria — ou, no mínimo, preferiria — que acontecesse.)

Sonhos 3, 4 e 5

16/08/2015, domingo

Sonho 3 (há quase 2 anos)

Um quarto com várias camas. Ele me pede pra sair da dele e eu vou pra outra, e logo um cara* (?) vem conversar comigo. Mas eu não queria nada com ele. Observo de longe uma menina chegar na cama dele. Ela é bonita, pequena, magra, tem um corpo bonito, e tem cabelos longos, lisos e vermelhos*. Está vestindo uma camisola preta. Eles começam a se beijar e se deitam sob as cobertas.

Naquele dia eu estava lá; era um domingo, acho. Acordei por volta das 6, e não consegui dormir mais — na verdade não quis, pois o medo foi de voltar pro sonho. Levantei, fui comer, sentei na sua poltrona e tentei ler (um livro que até hoje está inacabado haha; acho que meu subconsciente já sabia que, pelo jeito, essa realmente não será minha profissão). Estava quase caindo no sono, mas não queria mais me deitar. Ele acordou e acho que viu meus pés balançando no braço da cadeira; perguntou se estava tudo bem, e eu menti disse que sim.

* Aparentemente ele já tinha feito isso antes (na vida “real”), e eu não notei. Foi ele quem me avisou.

** Acho que o sonho aconteceu bem antes, quando as coisas começaram a ruir; talvez até tenha sido esse sonho um marco inicial. Mas enfim: um dia após o Natal, fios de cabelo vermelho na cama (que eu sei bem que nem eram do mesmo tom dos cabelos da guria do sonho, mas vai que há algo como “coincidência”?!) e uma briga; será que é impossível entender os motivos para a dor dx outrx? Existem limites?

Sonho 4 (este ano?)

Estou no meu banheiro. Sinto alguém me abraçar por trás; as mãos envolvem a minha cintura, me apertam, e a cabeça se encaixa no meu ombro*. Me sinto tão bem!, e me lembro que quase pude sentir o toque fisicamente. Ele me fala algo como “eu (ainda) te amo”. Talvez tenha falado também “mas eu tenho que ir”. Já naquele abraço aquilo tudo me cortou o coração. Aliás: já naquele sonho (que eu sabia ser um sonho, porque já tinha noção de que era impossível demais) aquilo tudo me cortou o coração.

* 08 de dezembro de 2013, domingo de noite, após a pior peça de teatro deste universo, arrumando meu cabelo no espelho do guarda-roupa: ele me abraça e fica nos olhando no espelho, e, depois de falar que o meu cabelo cheirava bem (é, acho que foi nesse dia), fala que de fato (como tinham dito minhas amigas) nós combinamos (combinávamos). 

Sonho 5 (15/08, nesta última noite*)

Estou em um prédio movimentado; é lá que eu moro, em um apartamento com mais pessoas. Já no saguão vejo que, por um motivo absurdo (que não vem ao caso) estou com calçados péssimos para andar (e eu teria que andar muito), então resolvo voltar para trocar, mas, ao entrar no elevador, não lembro do andar.

Aperto um que eu achava ser o certo e as portas se abrem (diretamente) no apartamento deles (?!). E lá estão os três e mais alguns amigos. Ele fica feliz em me ver, acena, e uma delas também, com o seu sorriso característico. A outra delas (“A” haha) está deitada no chão, e dá um sorriso amarelo ao me ver — mas não era ela; era a outra menina, que eu já vi tantas vezes no Facebook e vi quarta passada no “maldito” programa**. Enfim… Eles se levantam, me cumprimentam, e parecem sinceramente felizes com a minha presença, mas eu só consigo pensar em descobrir um jeito de sair de lá, daquela situação. Explico o que tinha que fazer (?), mas eles vão me acompanhando. Escuto ele dizendo, em tom bem-humorado, algo como “gosto muito dela mas NÃO. TEM. COMO. DAR. CERTO. hahahahha”.***

* Já sei por que: ontem fui assistir uma apresentação em uma rua próxima e tive que deixar o carro no mesmo lugar “de sempre”. Nem sei se continuam lá; dessa vez isso não me deixou inquieta, não me fez suar frio, e nem cutucou aquelas borboletas na barriga (como acontecia até algum tempo atrás). Mas gerou algum desconforto.

** Por que mesmo que eu assisti aquilo? E por que mesmo quero continuar assistindo?! Será que é uma tentativa desesperada de curar algumas feridas? Até sei o motivo da “confusão”: na minha cabeça elas são parecidas. E eu sei que elas não são REALMENTE parecidas, mas é que elas têm muitos traços em comum, tipo a altura, o porte físico, a cor dos cabelos e o fato de terem olhos claros. Acho que ele (se é que não a conhece de fato) gostaria dela também.

*** HAHA ¬¬’. (O maldito “haha” virou uma espécie de praga automática incontrolável, que eu não consigo evitar, a menos que me policie muito. Ele atenua até as falas mais tensas — mas será que eu deveria mesmo tentar atenuar certas situações?!)

 *   *   * 

Vez ou outra certas memórias voltam (ou certos sonhos acontecem), e eu não posso evitar que façam alguns estragos.

Não sei se vou ficar “BEM” (sim, em maiúsculas), mas, hoje em dia, já estou muito melhor. De fato. 

Ainda que em alguns momentos (como agora, mas por motivos beeeem diversos) eu sinta que sou um poço de raiva (não “ódio”; “raiva”). Sinto que eu tenho um buraco negro aqui dentro, que de tempos em tempos faz desaparecer as coisas boas e fermenta essa raiva (que vai se acumulando). É isso que, as vezes, me cega e me deixa a ponto de explodir.

Talvez isso seja necessário também: me permitir sentir raiva e mágoa, pra não mais guardar — ou pra guardar só aquelas coisas boas.

A saudade é o tipo de coisa que se guarda e que não morre, assim como certos sentimentos — tal qual a admiração e o amor (estes estão bem vivos, sim, senhor).

Acho (espero?) que ainda vai levar um tempo até acontecer um outro sonho como esses. 

Já as memórias voltam bem mais (ainda que hoje em menor frequência); tô lidando relativamente bem com elas.

Mas hoje eu queria um abraço; hoje tá difícil.

(no parque hoje uma menina passou com uma camiseta que dizia “you make me happy when skies are gray”; não lembrei de imediato, mas comecei a cantarolar o trecho e logo me veio. Foi um outro que me mandou essa música uma vez, mas acho que por causa disso tudo mais uma vez foi de você que eu lembrei. Os próximos cem metros foram pensando nisso e em você.

“…please don’t take my sunshine away”)

Você pode ir na janela

“Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim!…
Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim

Mas se vai…
Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Vai sem duvidar,
Mas se ainda faz sentido, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo
Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar…”

Alô, nostalgia. O coração inquieto manda, sempre e cada vez mais, abraços apertados. 

Sinto sua falta (ou “Um guia sincero para os visitantes desavisados do Jardim Botânico de Curitiba”)

Jardim Botânico (inverno 2015)

Sábado, 11/07/2015, 23:10

*    *    *

Domingo, 19 de julho, por volta das 8 da manhã:

Dizem os mais antigos que “neblina que baixa, sol que racha”. Ainda está muito cedo pra garantir como será o resto do dia. Mas ainda está fazendo 12ºC, e é assim mesmo que eu prefiro.

*    *    *

O Jardim Botânico de Curitiba é o típico lugar para se levar um parente ou uma visita de fora. Mas pra passear também. Provavelmente é, até hoje, o maior ponto turístico da cidade.

O parque foi aberto em 1991, e se encontra bem próximo do centro da cidade, em frente a um dos campi da tradicionalíssima (cof cof) Universidade Federal do Paraná. Há uma estufa enorme, com três domos; sua armação é feita de vidro e ferro na cor branca. Em datas “comemorativas”, de noite, ela é iluminada por diferentes cores. Nos outubros a estufa é rosa, e, durante a copa do ano passado, foi verde e amarela (não ajudou muito, no entanto), por exemplo.

Dentro da estufa há espécies da flora da mata atlântica. É engraçado olhar de fora; parece que as plantas são como sombras por trás dos vidros, embaçados de sujeira e neblina. As folhas – principalmente as das palmeiras – aparecem como formas meticulosamente recortadas. Mas lá dentro a vida explode, nos diferentes tons de verde das bromélias (com seus microhabitats em meio líquido por entre as folhas do centro) e ananases levemente rosáceos. Só é um pouco triste (para mim) pensar que um dia aquelas plantas não poderão crescer mais – tal qual dizem que ocorre com peixinhos dourados em aquários (?).

Há ainda uma escada em espiral (que eu não pude deixar de comparar com as voltas das conchas de moluscos – mais especificamente das de Nautilus, com suas pequenas câmaras internas. Talvez isso tenha a ver com a formação paleontológica que um dia eu sonhei pra mim) que nos leva ao primeiro andar (lembro que quando eu era pequena sentia certa agonia ao olhar pra baixo e ver tudo por entre as grades), o qual permite ainda uma visão mais elevada do mosaico à frente.

Sim, em frente a estufa há um jardim com desenho inspirado nos célebres jardins franceses e pelo menos duas fontes (acho que varia de pessoa para pessoa o critério, haha). Em uma delas há uma estátua, de uma mulher segurando uma pequena criança; esta é, aliás e definitivamente, uma das fotos mais tiradas de quem vai até lá.

Há, no final do jardim, um bonito portal, que parece estar sendo tomado pelas flores. Por falar nelas: há muitas cerejeiras plantadas no caminho que nos leva do portal ao estacionamento. Neste momento elas estão floridas, e as pequenas flores de cinco pétalas e diferentes tons de rosa salpicam os galhos e a grama ao redor.

Por entre as formas geométricas do jardim e por todo o parque há muitas trilhas, por onde as pessoas passeiam (cedinho, de manhãzinha, elas costumam andar ou correr, e há ainda formandos, noivos e casais grávidos que utilizam o parque como pano de fundo para registrar suas recordações – que eles provavelmente esperam que durem pra sempre), e bancos aqui ou ali.

Há, se não me engano, dois lagos, um museu botânico, um espaço para exposições (atualmente fechado), e outro espaço mais “restrito”, chamado de “jardim das sensações” (o nome é autoexplicativo, creio eu). Existem muitos gramados. E nos domingos de tarde cada árvore parece ser praticamente desenhada para ser a sombra de um casal. Há quadras de tênis, canchas de futebol, um velódromo… o que mais?!

Humm… Muitas espécies nativas, tanto da fauna quanto da flora. Se você for lá bem cedo há de encontrar cutias, jacus e saracuras, por exemplo. Fora os patos e peixes que nadam sob a ponte do museu.

No domingo passado vi um(a?) jacu muito entretido(a?) com o seu reflexo em um bebedouro. Me fez recordar das aulas de etologia na universidade; mas, naquele caso, o professor falou de aves bem menores, passeriformes. Parei por uns dois minutos, após arriscar uma corridinha de alguns metros, e fiquei olhando a cena, quase que hipnotizada. Mas logo saí, porque havia quem já me olhasse com estranhamento.

Ah, os curitibanos, naturalmente… São espécimes deveras curiosos e de modos de vida gritantemente diferenciados do resto dos espécimes nacionais (e mundiais, por que não).

Andando por uma das trilhas vi uma cascata alaranjada de flores-de-São-João (devo admitir que o Google me deu uma mega ajuda com o nome das espécies – afinal, acho que a biologia já é mesmo um capítulo do meu passado); estava linda. Perto desse trecho há um terreno que, acredito eu, é agora baldio. Os tapumes que o separavam do parque não resistiram ao peso das (prováveis) heras que crescem abundantemente, e parte deles caiu. Meio tenso, mas enfim; suspeito que devem haver câmeras aqui ou ali – e volta e meia me pego pensando nisso: “será que nos assistem? Tipo: ‘ah, essa aí não vem sempre, mas aquele vem com sol ou chuva!’. Grande irmão, você está aí? Estamos fazendo nossos exercícios matinais!”.

Mais pra frente, dentro da mata cercada, há pelo menos uma araucária muito grande; o que me chamou a atenção, desde a primeira vez que vi uma delas, foi o fato de que sua epiderme (quantos anos levou para chegar até este ponto?!) já está se desprendendo. Grandes pedaços se encontram quase caindo, e sabe-se lá o pouco que ainda os segura.

Não sei como são os outros dias, mas ao ir lá no domingo, por volta das sete e meia, é praticamente garantido ver e ouvir o trem passar. Pois sim: no meio da cidade você ainda vê dessas. Ele passa, longo e longamente, num compasso que parece acompanhar a morosidade de um típico domingo. Apita religiosamente naquele horário, feito um cuco (outrora) a vapor.

Mas tudo isso é, na verdade, não mais que uma mera introdução; acho que agora já dá pra explicar do que me lembro quando penso no parque.

A natureza me encanta – sempre me encantou –, é verdade. Mas desde o momento em que decido ir (em definitivo só na noite do dia anterior), até o momento em que entro no carro e saio de lá, é uma “obra de homem” o que mais mexe com a minha cabeça. E nem fica do lado de dentro do parque.

Seguindo por uma pequena rua lateral, que sai da BR 476 (logo após passar sobre a rua Maurício Fruet), há, no concreto da estrutura do viaduto (que é a continuação da BR 277 – o que acho que já consta como Avenida Prefeito Lothário Meissner), em letra caprichada e com um pequeno coração, uma singela mensagem em três palavras.

E eu tento imaginar a pessoa que fez aquilo e no que (ou melhor, em quem) ela pensava quando fez aquilo e em como deve ter sido aquele dia (ou noite) – aliás, em como foram os dias antes e depois daquilo – e se ela estava acompanhada ou (provavelmente) só e em qual história ela devia carregar na cabeça e quais sentimentos carregava no peito e se ela ainda se lembra desta mensagem que deixou e… e daí eu começo a pensar em mim. E de quem eu me lembro e porque (ainda!) me lembro e porque essa mensagem me diz tanto e…

Se algum dia alguém me perguntar “Mas o que, na sua opinião, há de mais interessante no Jardim Botânico de Curitiba?”, ainda que eu responda de outra forma, acho que a resposta mais sincera é: “não sei, mas lá, PRA MIM, há saudade”.

Sinto sua falta*Sinto mesmo; ontem, hoje, amanhã e sempre.*

Lonely day

“(…) Such a lonely day
Shouldn’t exist
It’s a day that I’ll never miss
Such a lonely day
And it’s mine
The most loneliest day of my life

And if you go, I wanna go with you
And if you die, I wanna die with you

Take your hand and walk away…

The most loneliest day of my life…
The most loneliest day of my life…
The most loneliest day of my life!…

Such a lonely day
And it’s mine
It’s a day that I’m glad I survived…”

Another day, the same “basic” feeling: nostalgia. The past says ‘hi!’.

Amy’s guts churned; but today I feel as if it is my heart.

Wish you were here

“So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain.
(…)
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here.
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here”

“Música ao longe”*

Quando a música começou a tocar nesta quinta-feira chuvosa eu não a pulei. Esta foi, provavelmente, uma das primeiras vezes (se não A primeira) que eu a deixei tocar sem sentir (muita) dor.

Descendo pela Desembargador Motta no trânsito das 6 e pouco da tarde (e sob chuva, o que só piora mais ainda a situação) eu cantei junto, e pelo resto do caminho continuei pensando.

“Talvez esse fosse o jeito dele de tentar, ainda que de maneira dominante, estabelecer conosco algum laço mais palpável”, pensei comigo mesma ao entrar na Getúlio Vargas. “Dominante” porque foi ele que “escolheu” a música (ou talvez ela o tenha escolhido, não sei), e “palpável” porque eu entendia o seu constante medo de se esquecer das coisas (e das pessoas).

O que pra mim, por mais que fosse compreensível, era contraditório ou paradoxal, porque eu não consigo deixar de me lembrar de nada nem de ninguém.

Me lembrei também dos vocativos carinhosos; não muito depois do fim (aliás, acho que essa ficha caiu quando ainda estávamos juntos – mas eu quase me “recusava” a acreditar, como se este fosse o ultimo “benefício da dúvida”, porque via nele um ser transbordante de carinho, e não achava que ele pudesse ser tão “baixo” assim. Depois, por um tempo, quando a raiva urrou alto, eu cri. No entanto, logo [e hoje ainda] deixei essa crença “certeira” de lado; mesmo que fosse isso mesmo, quem sou eu pra culpar os esforços [de não cagar com as coisas] – provavelmente – sinceros de alguém?) criei a teoria de que os ditos, por serem genéricos, serviriam para todas. Dessa forma ele não cometeria nenhuma gafe do tipo trocar o nome de uma pelo de outra (já que os gostos ele já tinha trocado pelo menos uma vez).

Talvez eu estivesse mesmo certa quanto a isso (afinal, ele nunca percebeu o quanto – por mais que nem eu tivesse uma noção exata de “raso” e “fundo” – eu via com profunda clareza dentro dele), mas a “verdade verdadeira” eu, ao que tudo indica, nunca conhecerei.

Passando (lentamente) ao lado da Ouvidor Pardinho, inclusive lembrando de uma situação na qual passamos por aquelas bandas juntos, pensei que ainda sentia falta. Ainda sinto falta. Mas não sei dizer com certeza se a falta é dele ou de “um alguém”.

O fato é que não me esqueço dele, mas hoje, felizmente, já não penso mais nele com tanta frequência.

Uma hora depois de sair do trabalho e sob muita água (tanta que eu até senti medo enquanto dirigia – só não sei medo exatamente do quê) – água que turvava o vidro e que me lembrou de noites (até mesmo recentes) nas quais adormeci após chorar um bocado, de maneira desconsolada, convulsiva e solitária – cheguei em casa. Senti a falta do cuidado e da preocupação de alguém, e, mais uma vez, senti o peso do (de um?) vazio.

Os pingos gordos caíam com tanta intensidade e abundância que resolvi aguardar um pouco. Pus a mão no teto do carro e pude sentir a violência das gotas atingindo a lataria; “se eu fechar os olhos e me concentrar bastante acho que ainda consigo – com sorte sentir! e – lembrar do teu toque na minha pele (eu ainda lembro do caminho pra tua casa…)”.

Como eu disse pra psico esses tempos: “eu sinto saudades de uma pessoa que não existe mais”.

Aliás, de duas: dele e de mim.

Mas, de qualquer forma, esse sentimento continua – ainda que não intacto, como professam xs poetas -, e eu aprendo diariamente (ainda que a duras penas, e ainda que em alguns dias eu sofra pela sensação de regresso) à lidar com ele.

Sweet eyes, I already miss you. And you only just walked out the door…

*”Música ao longe” é o nome de uma obra de Érico Veríssimo, e que fez parte da minha (pré)adolescência.