Sonho 9 — A viagem para a praia

Madrugada de 04 para 05/09/17:

 

Estamos deitados, de frente um para o outro. Nos olhamos e fazemos carinho no rosto um do outro — sem o “””clima de guerra””” que eu poderia esperar.

Ele fala algo sobre ficarmos juntos… talvez? Não consigo lembrar.

Eu levanto na cama, e olho pela janela, que estava logo acima. Lá fora vejo o mar bastante verde, e muitas palmeiras. O dia é intensamente ensolarado, e no céu azul não há nenhuma nuvem. Imagino que o vento que movia as folhas das árvores devia estar aliviando um pouco o calor.

Fico irritada, e lhe digo que ele poderia ter tido tudo aquilo — COMIGO. Que aquele era literalmente o (ou melhor, praticamente o único) plano.

Ele fica contrariado…

 

 

[Fico “satisfeita”; pelo menos dessa vez o meu consciente e o meu sub/inconsciente (?) parecem estar em sintonia

 

“(…) She’s still here fighting… better know there’s life in her yet (…)” ]

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Dia 36

 

Um grito ele amou
Lençóis e colchas vão se encontrar
Não é mais dia 26 (…)”

 

Hoje eu já chorei. Mas preciso chorar muito mais — até que, quem sabe, passe esse desejo de não mais viver.

Escutando uma música muito bonita e triste, que me acompanha desde a adolescência, não consegui segurar minhas lágrimas; pensei em todas as coisas que me oprimem — inclusive e principalmente as saudades.

Saudades do meu pai (e dos tempos em que nossa relação era melhor — e existente), de momentos de mais carinho, de épocas nas quais ainda não havia ouvido tantas palavras duras e nem havia apanhado tanto de pessoas próximas, de quando eu era uma criança de 5 anos, tagarela e feliz, de ser mais ingênua, de abraços e colos, de sentir que meus esforços valeriam a pena, de sentir e saber que ainda tenho apoio e alguém que quer e vai tentar me entender, dos meus 17, quando eu ainda tinha esperanças mais descomplicadas de achar meu rumo na vida (ainda que eu já soubesse que havia algo de errado), de ter mais tempo e sanidade, de me sentir menos cansada e com menos dor, de não me sentir preterida, inferior e indigna, de ter planos mais concretos, de saber lidar de forma mais leve com as minhas responsabilidades, de momentos do passado e de acreditar que há um futuro, … de amar de modo sincero e sem travas e de me sentir amada.

Saudades do amor.

Hoje eu já não quero mais pensar. Hoje já não é mais dia 26 — e nunca mais será.

28/05: Nesta tarde me abri com uma amiga. Contei pra ela coisas que penso há tempos, em relação a como me sinto, e que nunca havia contado pra ninguém. Ela me perguntou se eu pretendia fazer alguma coisa “reckless, let’s put it this way”, e eu lhe disse que não, que ela podia relaxar.

Mas, na verdade, na verdade, eu só acho que não. Quer dizer… o que é de fato ‘reckless’?

Nós somos reféns daquilo que sabemos dos outros — sejam omissões, mentiras ou verdades.

* * *

Tinha planejado postar algo hoje.

Seria uma foto de uma página de um livro; não é um excerto belo — pelo menos não na concepção comum de ‘belo’. Mas é significativo. Fala do que é o gesto na aproximação de duas pessoas.

Foi também hoje que recebi uma carta de uma moça pra quem escrevi (vejam só, há mais ou menos um ano e meio), falando de como está, e que conseguiu se libertar de um relacionamento abusivo (e agora isso tudo chega a ser “irônico”, como uma típica piada de mau gosto — dessas que a vida adora nos contar de tempos em tempos).

Mas, afinal, as horas passaram, e os sentimentos e o timing também…

… porque hoje eu descobri algo que é um ponto sem volta.

Há dois anos o conheci, em certa circunstância. Quando ela passou, ainda que com mil ressalvas, acabei decidindo lhe dar uma “chance”.

Passamos uma noite juntos no começo de outubro, e foi awkward, desajeitado, mas não necessariamente ruim. Em um momento ele insistiu em fazer algo que eu não queria, mas, frente às minhas negativas, acabou desistindo. Ainda assim, não rolou um climão.

O depois foi cheio de pontos pra processar, mas aquela noite não se repetiu, por N motivos (existentes ou auto-impostos). E eu me arrependi disso — até então (?!).

Antes tarde do que nunca, suponho. Mas… como…?!

……..

Há um ano, aproximadamente, postei aqui uma imagem de um filme, que tem, na minha opinião, uma fala muito emblemática:

“We accept the love we think we deserve”.

Talvez eu já conhecesse essa fala, do livro ou do filme; não lembro.

No entanto, por mais que não, já naquela época, eu pensava em coisas assim. Inclusive, um dos motivos pra me afastar foi por achar que eu precisava me proteger, e acreditar que eu merecia mais.

E eu não sei se mereço; talvez não. Possivelmente não — porque, infelizmente, não existe essa coisa de “merecer”.

Mas, ainda assim, às vezes eu gosto de acreditar que sim.

E, de um jeito ou de outro, nem assim eu pareço me ajudar.

Ainda vai demorar um bom tempo pra digerir isso.

Damn…

E descobrir isso agora, na minha atual conjuntura, de certa forma é pior ainda.

(Eu nem sei exatamente como estou me sentindo agora… em algum lugar entre triste, confusa e cansada, provavelmente.)

Olhos vermelhos

24/02, aprox. 10am:

“Os velhos olhos vermelhos voltaram(…)”.

Me causa até uma afliçãozinha que essa música seja da Capital Inicial. Porque a letra não é tão bosta assim. E é bem relatable.

As minhas dores é que voltaram, na verdade.

Não que elas tenham me deixado de fato; em alguns dias elas se esgueiram pra fora do buraco, onde consigo mantê-las relativamente isoladas na maior parte do tempo.

O que acontece é que nessas férias elas tiraram férias do buraco também.

Ficar parada e quietinha é bom. Eu gosto demais disso. E passo o ano inteiro sentindo falta, porque tudo é caótico e “entulhado”.

Mas, quando faço isso, elas tomam conta de mim: quanto mais imóvel, mais dor eu sinto.

Então eu vou dormir, cansada, e, quando acordo no dia seguinte, me sinto mais cansada ainda. Exausta, na verdade.

“Morrer, dormir; não mais. E com o sono — dizem! — extinguir as dores no coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita. Eis uma consumação ardentemente desejável” (Shakespeare).

Eu sei essa citação de cor. Talvez porque eu gostaria muito que ela fosse verdadeira. Ou, quem sabe, porque realmente era até um tempo atrás.

É difícil e “chato” não saber onde repousa a sua paz.

E (muito) doloroso.

Eu não quero tomar remédios o tempo todo. Mas se eu não tomar, pelo menos por ora, os dias ficam mais miseráveis (ainda).

Então eu tomo um analgésico aqui, outro ali, e sinto a hipocondria familiar avançando, passo a passo, pra fora de um outro buraco.

Porque eu sou assim mesmo, toda perfurada por dentro.

Quem sabe é até por isso que sinto dor: sou como uma esponja, cheia de sulcos e reentrâncias, que fica absorvendo diversas coisas ruins.

 

08/03 — 09/03:

Alguma coisa me derrubou. Dor de cabeça, no pescoço, nas costas, fotossensibilidade, dores nas articulações dos joelhos, quadril, punhos e cotovelos, dor no abdômen, perda de apetite, febre, pele sensível (como se tivesse sofrido queimaduras de sol)… E.A.? Gripe? Virose? Dengue? haha.

Pensar que pode ser a última é tão distante que me faz rir. Mas os sintomas batem… 

A última vez que me senti assim foi no começo do ano passado.

Mas, mesmo naquela época, eu não sentia todas essas coisas.

Um copo de água com limão, dois comprimidos analgésicos, e muitas horas de sono… e nada.

Rolei de um lado para o outro, desconfortável e agoniada, tentando reprimir uma crise de ansiedade que parecia avançar rapidamente.

O plano foi encerrado em outubro passado, e ir ao hospital público não está rolando (deveria ter feito isso hoje de manhã, já que não fui pra aula — mas eu não estava nem conseguindo me vestir sozinha).

A pressão vai me sufocando, e as partes do meu corpo parecem peças mal encaixadas de um exoesqueleto. Se eu apenas pudesse tirá-las, uma a uma!…

Que merda; acho que estou mesmo um pouco assustada (haha).

09/03, aprox. 10pm:

Antes de sair para a escola, deu “teto”. Tive que pedir para cancelarem a aula, pra que eu pudesse ir ao PS.

18:37, horário de chegada; 21:15, horário de saída. E nenhuma resposta.

“É bom que você fique atenta, e, se as dores não diminuírem, você volta, faz exames, e fica sob observação”.

Ah, vá.

Sonho 8 – “A oficina da estiagem”

Não sei como começou, ou não me recordo: sonhos têm dessas. Foi tudo em fast forward, feliz ou infelizmente.

Um novo contato nos levou a uma reaproximação.

Passamos uma noite juntos, mas acho que não conversamos realmente; pelo menos não sobre o que ou como deveríamos. “Amenidades”.

Ainda que essa parte tenha sido (infelizmente) muito rápida no sonho, e que eu não me lembre de detalhes, sinto que foi bom e intenso — como sempre.

As conversas posteriores, pra variar, é que foram defeituosas, precárias, incompletas — ingredientes essenciais para mais um fracasso inevitável.

E assim foi: por algum motivo, uma das conversas azedou rápido demais (nada incomum até aí), e ele se sentiu “””injustiçado””” (por falta de palavra melhor para descrever). Foi então que notei que ele tinha algum controle sobre “mim” (e não (só) metafórica ou figurativamente).

Era uma espécie de acesso remoto, que eu acompanho em tempo real enquanto estou sentada ao computador. Eu posso ver a seleção de trechos, o corta-cola-escreve-reescreve ocorrendo sem que eu possa fazer nada.

De repente, aparece na tela uma animação de um local desértico, de céu azul brilhante e brisa surpreendentemente leve e amena; em segundos, tudo se torna cinza, o vento lufa furiosamente, e se forma uma tempestade de raios.

Vingança. Não sei por que, ou do que.

Com aquela seleção parcial, ele constroi e resconstroi mais uma colcha de retalhos.

Consigo ver o título: “A oficina da estiagem”. Realmente, as palavras não me são de todo estranhas, mas não consigo entender o porquê dessa junção.

Na paisagem da animação, as palavras do texto começam a aparecer talhadas em uma grande rocha; mas ela está de lado, e é difícil enxergar. Conforme a viro na minha direção, consigo ler — mas já não me lembro mais de nenhuma das palavras.

Foi aí que o pesadelo “de dentro” acabou.

Foi massacrante — mais uma vez. Acordei, mas não por completo, e meu coração batia de uma maneira tão retumbante que eu literalmente consegui escutar minha pulsação, vibrando, no meu ouvido externo.

Nos poucos segundos que me separavam do son(h)o e da vigília, percebi que tive uma ideia “luminosa” (prum contexto surreal de pesadelo ela me pareceu boa mesmo): “um corte limpo, vertical, no braço esquerdo”.

Isso ocorre nos 47 do segundo tempo. Perco litros, mas me encontram e me levam correndo pro hospital. Eu sobrevivo.

Eu acordo de fato, desnorteada, e ainda escutando meu coração.

Antes disso eu já estava rolando de um lado pro outro; isso continuou depois, por mais que eu estivesse morrendo de sono.

Era 2:36am, se não me engano.

Ficou uma frase na minha cabeça, por algum motivo. Como se tudo não passasse mesmo de um jogo, eu ainda disse (para… ele? Pra tela? Pra mim?!), antes do fim do pesadelo: “Your move”.

24/02, 15:00: Não faz nem duas horas que eu o vi. Passando por onde já passamos juntos, de mãos dadas, em outra vida ou outro sonho. Mesmo antes de chegar perto, com meu carro “feio e estranho”, eu sabia que era ele. E mesmo até que ele esteja com o cabelo bem maior, o jeito de andar e o de segurar o cigarro continuam os mesmos. Acho que não há porquê negar que meu coração acelerou brevemente, e que eu queria ter visto mais antes de dobrar pra direita. Felizmente, mais uma vez, ele não me viu.

Juliano Pavollini

“Recomeço com um lugar comum: com o passar do tempo, o tempo perde o brilho, massa flutuante, uma ponta aqui e outra lá, entre os vazios. Quanto mais nos afastamos, mais tudo fica igual a tudo. Perdemos senso, nitidez, ângulos; perdemos a fúria. Há quem chame isso de sabedoria. Se nos afastamos ainda mais, olhando para um passado que está em lugar nenhum, mas que nos lanha, queremos morrer, e também isso parece sabedoria. E há os que que se aferram desesperados ao que foram, ou poderiam ter sido — passamos a vida escutando o grito desses loucos. Comigo não acontece nem uma coisa nem outra. Tenho plena consciência de que não consegui ser nada, mas — Clara deve saber — não desisti. E não sou suicida a ponto de fingir esquecimento — há uma caixa de segredos que ficou atrás, e eu gosto dela, mesmo sem compreendê-la. Digamos que não há um só desgraçado que em algum momento da vida não tenha se transformado num pequeno Deus, não tenha pressentido o sopro do controle da vida, do tempo, da história — assim, nas mãos, palpável, uma breve eternidade”.

Juliano Pavollini. TEZZA, Cristovão, 1989, p. 63 (grifo próprio).

Ao lado meu

Eu já estou sentindo aquele típico nó na garganta, que logo tranca meu nariz e meu coração.

Me lembrei agora que foi nesse mesmo sofá, onde estou agora, que você sentou ao lado meu.

A manhã era fria, e eu te peguei na universidade. Ia te mostrar uns fósseis, mas acabei me esquecendo de levar a chave do laboratório… Acabou que de lá viemos para cá, pra matar um tempo.

Você sentou na ponta da esquerda, e eu sentei no lugar do meio. Meu joelho doía, então estava com uma bolsa de gel fria, e as pernas em cima do seu colo.

Você me abraçou, e aquele foi o melhor presente de aniversário que eu poderia ter recebido — ainda que você não soubesse antes que era naquele dia (teria feito diferença?).

O momento não durou muito, infelizmente; logo tivemos que sair. Mas durou o suficiente pra ficar pra sempre na minha memória — ou melhor: para se juntar à todas as outras.

Naquela época mesmo as coisas mais insignificantes rapidamente se preencheram de sentido e valor — ao ponto de, até hoje, tantos signos me remeterem às mesmas imagens mentais.

Enfim… Não sei se fui enfática o bastante, mas fui grata. Sou, até hoje.

E esse episódio já tem um pouco mais de três anos…

Acho que cada momento tem mesmo um começo, um meio, e uma data de validade (que nos é) misteriosa, que marca o inevitável fim.

Memórias que não voltam mais

 

Old post

 

E eis que eu deparo com isso. A intenção é mesmo que voltemos para o passado, e foi o que aconteceu comigo.

Ainda que as memórias hoje estejam, em alguns pontos mais, outros menos, cobertas por certa névoa, eu me lembro.

Não há como (ou por quê) esquecer.

Em um dos comentários, um velho amigo (?) postou:

Shel Silverstein quote

E agora eu já não sei se ele era/é clarividente, ou se todas as histórias são mesmo assim.

Acho que o começo e o meio foram mesmo felizes; do fim eu ainda venho tentando esquecer.

Pássaro azul

 

+5

21 de março, segunda, aproximadamente 10:30pm

 

Há quase três anos comprei os lápis pastel.

Uns três tons de azul, mais um amarelo, um bege e um branco.

Tinha um propósito: queria desenhar um pássaro azul sobre um fundo preto, com uma gaiola ao lado, que imitasse a estrutura de uma caixa torácica.

Eu não sei desenhar pássaros.

Mas eu ia aprender.

Não deu tempo (até então).