“I’m my own worst enemy”

 

“I’m my own worst enemy”…

 

Ontem tive um insight poderoso, que caiu sobre mim como uma pedra gigantesca.

Fiquei meio atarantada, e até sentindo um peso sobre o peito.

Eu posso ser a minha maior glória — mas posso também ser minha maior inimiga.

Eu realmente quero continuar evoluindo, buscando ser uma versão cada vez melhor de mim mesma. Mas temo acabar me autossabotando, e fazendo mal para mim e para as pessoas ao meu redor (principalmente as de quem gosto).

Mas eu sei que sou limitada e (muito) falível… 

Que os deuses daqueles que creem me protejam de mim mesma.

Eu estou com medo, mas estou relativamente feliz — e pretendo continuar assim.

É risível, mas acho que, a partir de hoje, vou me propor uma resolução de ano novo atrasada. Pensei em um mantra, pra repetir a mim mesma diariamente:

 

Que hoje eu possa ser uma pessoa melhor, para mim e para os outros.

Não é nem perto de ser o bastante, mas talvez seja um começo.

 

 

Fragmento 7 – Confusão

[Eu preciso escrever. Mas não sei nem bem por onde começar…]

As coisas não vão tão bem, e algumas estão muito fora do lugar.

Aliás, se for pra parar pra pensar local ou globalmente, está tudo errado, e isso também me afeta. E demais. Me sinto uma antena captando tudo isso, e ainda menor e inútil nos meus dramas.

Porém, feliz ou infelizmente, tenho também meus problemas pessoais pra resolver.

Ele finalmente está saindo de casa; nada que não esperássemos. Mas parece que está fazendo tudo que pode para complicar ainda mais nossas vidas.

Me irrita duplamente: primeiro por si só; mas também por ver que suas ações estão me transformando numa pessoa cada vez mais cínica e “esperta” — pra que ele não nos deixe “pra trás”.

Quer dizer: já está deixando.

Mas não vou admitir que nos deixe por baixo — principalmente à ela.

Na verdade, esse tem sido o ano pra endurecer. E, tristemente, pra perder também um pouco da ternura, talvez. E eu não queria isso… juro que não. Tenho feito o que posso pra nadar contra a corrente, mas há horas em que meus braços não aguentam mais, e eu só quero boiar.

Os golpes vão me atingindo, e eu sinto cada-um-deles. Mas alguns deles já nem doem mais.

Eu entendo e aceito melhor agora: eu “perdi” vocês dois, que nunca foram meus. Acho que, em alguns momentos, vocês me farão falta (mais um do que o outro, penso eu). Mas eu quero mesmo é ficar distante — porque, sim: vocês ainda conseguem me machucar. E sequer entendo por que. Ou melhor: entendo sim. Mas acho que ainda me recuso a acreditar que vocês se recusam a aceitar que, muitas vezes, fazem isso deliberadamente.

Finalizei o terceiro semestre do curso. Faltam 5 agora. Fiz oito disciplinas, e achei que seria engolida. Mas acabei, eu, engolindo tudo (por bem ou por mal): quatro 10, e a nota mais baixa foi 9. Grandes…

Tive muitas experiências boas na universidade, e outras nem tanto. Aprendi e descobri novas possibilidades, e passei por apertos. Alguns eu quero esquecer; e, ainda que sejam péssimos, outros prefiro que fiquem vivos na memória.

Mas a confusão e a incerteza estão tomando conta de mim novamente…

Eu quero dar aulas?! Eu não sei!… Não sei mesmo. Não foram poucas as vezes que, nos últimos dois meses, pelo menos, fui acometida por esses pensamentos, de que eu estou no lugar errado, de novo fora do “meu caminho”.

E que “caminho” é esse?! Porque eu não faço a mínima ideia…

Porém, em geral, eu estou feliz e satisfeita com o que venho aprendendo.

E eu tenho planos. Eu acho. Não quero continuar estudando? Fazer mestrado, e daí doutorado?!

Sim, com certeza. Mas e depois?!

Eu não deveria parar de estudar agora. Caso contrário, nem terei turma para a qual voltar depois. E será que eu voltaria?

Mas preciso trabalhar mais. Precisamos de mais dinheiro. Ele está saindo de casa, e as coisas ficarão ainda mais difíceis.

Tá tudo fora do lugar. E eu não sei nem por onde começar…

Sinto que uma recaída se aproxima rapidamente, e eu realmente não queria isso…

2016 foi um ano muito errado. E os próximos não me parecem muito melhores.

Por que mesmo é que a gente deve seguir lutando?!

“(…) If I could start again

a million miles away

I would keep myself

I would find a way…”

Divagação 5: breve comentário sobre encontros e desencontros

Meados de setembro, 2015

“Como um gatilho sem disparar
você invade mais um lugar onde eu não vou…”

Uma vez ela me disse que poderiam se passar vinte anos e, ainda assim, eu provavelmente não teria controle da minha reação se eu o visse; ela disse que meu coração, assim como o de tantas outras pessoas, em tantas outras situações (similares ou não), provavelmente iria acelerar, sem que eu pudesse impedir isso.

As vezes eu tenho a sensação de que, ao dobrar esta ou aquela esquina, um dia vamos dar bem de cara um com o outro. Mas as vezes tenho a sensação de que não nos veremos nunca mais.

E eu não faço a mínima ideia de qual perspectiva me “assusta” mais.

(… ainda que eu saiba qual eu mais gostaria — ou, no mínimo, preferiria — que acontecesse.)