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Não tenho muito a dizer, eu acho.

Mas não queria que o dia passasse em branco.

Faz 4 anos, já. Hoje, exatamente.

Harder, better, faster, stronger.

 

Nikita Gill

 

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Bem-vinda

 

Ainda me recuso a acreditar que o melhor caminho de aprendizado é a dor. Isso permanece inegociável, e ainda estou disposta a gastar todas as minhas energias nessa defesa.

Mais do que em me levantar após cada “juntada”.

… o que não quer dizer que não será exatamente isso que eu farei, enquanto ainda me houver força.

… e o que também não quer dizer que eu não aprenda demais em cada processo tão doloroso.

Que ano zoado!…

Foi soco e pontapé de tudo quanto é lado, e uma surra tão intensa que me fez sentir o gosto do sangue na boca, perder o ar, os sentidos, o chão embaixo dos meus pés, e a vontade de lutar contra o que me nocauteava. Eu só quis que a dor me levasse embora, o mais rápido possível — se possível fosse. 

Mas ela não levou.

Meu corpo e minha alma foram violadas. Violadas. 

Mas eu ainda estou aqui.

E hoje eu posso dizer, com alto grau de certeza e contentamento: eu estou cada vez melhor. E talvez eu fique realmente bem. Talvez não agora, e muito menos sempre, mas eu ficarei.

Não o “bem” de engolir com café e cigarros, refeições e viagens caras, afagando pets, ou  fotografando tudo isso para ostentar nas redes sociais.

Não. Bem de fato. De dentro pra fora. Até porque o fora já está cada vez mais de acordo com o lado de dentro.

E porque isso já começou tão logo aquelas partes de mim morreram, alguns meses atrás. Porque foi isso mesmo: uma morte. Que me faz perguntar de tempos em tempos se aquilo era mesmo a minha vida.

O luto já acabou — e bem rápido — posso dizer –, tão forte foi o baque.

E agora a vida continua. Ou recomeçou. Ou está começando de fato. 

 

18 de maio de 2017, antes das 6am 

 

Ontem foi dia 17. E eu me lembrei. 

Eu lembro de “tudo”; não ia lembrar disso?! Antes mesmo da meia noite de ontem isso já povoava minha cabeça.

Hoje acordei e não tive nenhum daqueles sonhos. Talvez eu não devesse cantar tão cedo, mas não deixa de ser uma pequena “””vitória”””.

Mas os “temores” ainda são bem reais, e as marcas vermelhas no meu nariz são inegáveis; somatização é mesmo um negócio fabuloso. Definitivamente deveria ser estudado.

Oh, wait…

Entre sonhos ruins e saudades, acho que ainda prefiro a segunda; acho que consigo me esquivar melhor dos jabs e diretos dela, do que das chaves asfixiantes da primeira.

Ainda assim, humildemente reconheço o potencial destrutivo de ambas; mesmo seus mecanismos não são lá tão diferentes.

A saudade é mais silenciosa e nos enlaça aos poucos em sua própria chave.

De qualquer forma, e sendo bem otimista, as duas me” inspiram”.

Mas acordei hoje com aquela música na cabeça.

E, há alguns minutos, logo após sair do banho, me lembrei: a maldita “mandinga” da porta, haha. É, ela não funciona.

 

PS: Não foi muito depois que soube da morte do Chris Cornell. Quão “bobo” é dizer que isso me deixou profundamente chateada?!

Fiquei triste mesmo, em níveis pouco óbvios de se expressar. 

“(…) Don’t lose any sleep tonight

I’m sure everything will end up alright

You may win or lose

But to be yourself is all that you can do…”

 

 

Fragment 2 – Crisis

 

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I wasn’t feeling okay last night. It was as if my skin didn’t fit me right.

And then an anxiety crisis knocked on my door this morning. Fortunately, despite opening it a little, I was able to keep it out.

But I had help.

And this meant and means the world to me.

Still: what can we grasp from the causes and consequences? Which facts or events caused this?

It is a sum of things actually — something which is not that hard to understand.

The hardest part is, as usual, knowing how to deal with it.

 

“I’m my own worst enemy”

 

“I’m my own worst enemy”…

 

Ontem tive um insight poderoso, que caiu sobre mim como uma pedra gigantesca.

Fiquei meio atarantada, e até sentindo um peso sobre o peito.

Eu posso ser a minha maior glória — mas posso também ser minha maior inimiga.

Eu realmente quero continuar evoluindo, buscando ser uma versão cada vez melhor de mim mesma. Mas temo acabar me autossabotando, e fazendo mal para mim e para as pessoas ao meu redor (principalmente as de quem gosto).

Mas eu sei que sou limitada e (muito) falível… 

Que os deuses daqueles que creem me protejam de mim mesma.

Eu estou com medo, mas estou relativamente feliz — e pretendo continuar assim.

É risível, mas acho que, a partir de hoje, vou me propor uma resolução de ano novo atrasada. Pensei em um mantra, pra repetir a mim mesma diariamente:

 

Que hoje eu possa ser uma pessoa melhor, para mim e para os outros.

Não é nem perto de ser o bastante, mas talvez seja um começo.

 

 

Nós somos reféns daquilo que sabemos dos outros — sejam omissões, mentiras ou verdades.

* * *

Tinha planejado postar algo hoje.

Seria uma foto de uma página de um livro; não é um excerto belo — pelo menos não na concepção comum de ‘belo’. Mas é significativo. Fala do que é o gesto na aproximação de duas pessoas.

Foi também hoje que recebi uma carta de uma moça pra quem escrevi (vejam só, há mais ou menos um ano e meio), falando de como está, e que conseguiu se libertar de um relacionamento abusivo (e agora isso tudo chega a ser “irônico”, como uma típica piada de mau gosto — dessas que a vida adora nos contar de tempos em tempos).

Mas, afinal, as horas passaram, e os sentimentos e o timing também…

… porque hoje eu descobri algo que é um ponto sem volta.

Há dois anos o conheci, em certa circunstância. Quando ela passou, ainda que com mil ressalvas, acabei decidindo lhe dar uma “chance”.

Passamos uma noite juntos no começo de outubro, e foi awkward, desajeitado, mas não necessariamente ruim. Em um momento ele insistiu em fazer algo que eu não queria, mas, frente às minhas negativas, acabou desistindo. Ainda assim, não rolou um climão.

O depois foi cheio de pontos pra processar, mas aquela noite não se repetiu, por N motivos (existentes ou auto-impostos). E eu me arrependi disso — até então (?!).

Antes tarde do que nunca, suponho. Mas… como…?!

……..

Há um ano, aproximadamente, postei aqui uma imagem de um filme, que tem, na minha opinião, uma fala muito emblemática:

“We accept the love we think we deserve”.

Talvez eu já conhecesse essa fala, do livro ou do filme; não lembro.

No entanto, por mais que não, já naquela época, eu pensava em coisas assim. Inclusive, um dos motivos pra me afastar foi por achar que eu precisava me proteger, e acreditar que eu merecia mais.

E eu não sei se mereço; talvez não. Possivelmente não — porque, infelizmente, não existe essa coisa de “merecer”.

Mas, ainda assim, às vezes eu gosto de acreditar que sim.

E, de um jeito ou de outro, nem assim eu pareço me ajudar.

Ainda vai demorar um bom tempo pra digerir isso.

Damn…

E descobrir isso agora, na minha atual conjuntura, de certa forma é pior ainda.

(Eu nem sei exatamente como estou me sentindo agora… em algum lugar entre triste, confusa e cansada, provavelmente.)

Olhos vermelhos

24/02, aprox. 10am:

“Os velhos olhos vermelhos voltaram(…)”.

Me causa até uma afliçãozinha que essa música seja da Capital Inicial. Porque a letra não é tão bosta assim. E é bem relatable.

As minhas dores é que voltaram, na verdade.

Não que elas tenham me deixado de fato; em alguns dias elas se esgueiram pra fora do buraco, onde consigo mantê-las relativamente isoladas na maior parte do tempo.

O que acontece é que nessas férias elas tiraram férias do buraco também.

Ficar parada e quietinha é bom. Eu gosto demais disso. E passo o ano inteiro sentindo falta, porque tudo é caótico e “entulhado”.

Mas, quando faço isso, elas tomam conta de mim: quanto mais imóvel, mais dor eu sinto.

Então eu vou dormir, cansada, e, quando acordo no dia seguinte, me sinto mais cansada ainda. Exausta, na verdade.

“Morrer, dormir; não mais. E com o sono — dizem! — extinguir as dores no coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita. Eis uma consumação ardentemente desejável” (Shakespeare).

Eu sei essa citação de cor. Talvez porque eu gostaria muito que ela fosse verdadeira. Ou, quem sabe, porque realmente era até um tempo atrás.

É difícil e “chato” não saber onde repousa a sua paz.

E (muito) doloroso.

Eu não quero tomar remédios o tempo todo. Mas se eu não tomar, pelo menos por ora, os dias ficam mais miseráveis (ainda).

Então eu tomo um analgésico aqui, outro ali, e sinto a hipocondria familiar avançando, passo a passo, pra fora de um outro buraco.

Porque eu sou assim mesmo, toda perfurada por dentro.

Quem sabe é até por isso que sinto dor: sou como uma esponja, cheia de sulcos e reentrâncias, que fica absorvendo diversas coisas ruins.

 

08/03 — 09/03:

Alguma coisa me derrubou. Dor de cabeça, no pescoço, nas costas, fotossensibilidade, dores nas articulações dos joelhos, quadril, punhos e cotovelos, dor no abdômen, perda de apetite, febre, pele sensível (como se tivesse sofrido queimaduras de sol)… E.A.? Gripe? Virose? Dengue? haha.

Pensar que pode ser a última é tão distante que me faz rir. Mas os sintomas batem… 

A última vez que me senti assim foi no começo do ano passado.

Mas, mesmo naquela época, eu não sentia todas essas coisas.

Um copo de água com limão, dois comprimidos analgésicos, e muitas horas de sono… e nada.

Rolei de um lado para o outro, desconfortável e agoniada, tentando reprimir uma crise de ansiedade que parecia avançar rapidamente.

O plano foi encerrado em outubro passado, e ir ao hospital público não está rolando (deveria ter feito isso hoje de manhã, já que não fui pra aula — mas eu não estava nem conseguindo me vestir sozinha).

A pressão vai me sufocando, e as partes do meu corpo parecem peças mal encaixadas de um exoesqueleto. Se eu apenas pudesse tirá-las, uma a uma!…

Que merda; acho que estou mesmo um pouco assustada (haha).

09/03, aprox. 10pm:

Antes de sair para a escola, deu “teto”. Tive que pedir para cancelarem a aula, pra que eu pudesse ir ao PS.

18:37, horário de chegada; 21:15, horário de saída. E nenhuma resposta.

“É bom que você fique atenta, e, se as dores não diminuírem, você volta, faz exames, e fica sob observação”.

Ah, vá.

 

Yeah, this is pretty dumb. However, I wanna be able to keep some sort of “track” of this in the future.

This holiday has become another official watershed moment in my life, and I think — like with so many of the others — there’s no coming back from that.

I’m just so tired of beating my head against the wall…

… and now I see there’s no reason why doing this anymore.

I have always refused to being egotistical like them — and now I’m bound to admit I may have been wrong all along.

 

She’s “gone” as well.

 

 * * * 

“Such a lonely day

and it’s mine

The most loneliest day of my life”

[S.O.A.D.]

Alive

 

December 28th, 2016; around 7pm

 

Why didn’t I post this last year?!

Maybe I was not ready. Or I didn’t feel enough…

As a matter of fact I still don’t.

But it’s been THREE years now… Who knew?!

A LOT separates me from December 28th of 2015. Even more of 2013…

But, yeah, well… I’m alive.

 

 

December 28th, 2015; around 10:30pm

 

Wordpress

 

It’s been two years… Congratulations to me?

 

 

“I was born in a thunderstorm
I grew up overnight
I played alone
I’m playing on my own
I survived

Hey
I wanted everything I never had
Like the love that comes with light
I wore envy and I hated that
But I survived

I had a one-way ticket to a place where all the demons go
Where the wind don’t change
And nothing in the ground can ever grow
No hope, just lies
And you’re taught to cry in your pillow
But I’ll survive

I’m still breathing [4x]
I’m alive [4x]

I found solace in the strangest place
Way in the back of my mind
I saw my life in a stranger’s face
And it was mine

(…)
I had made every single mistake
That you could ever possibly make
I took and I took and I took what you gave
But you never noticed that I was in pain
I knew what I wanted; I went in and got it
Did all the things that you said that I wouldn’t
I told you that I would never be forgotten
And all in spite of you

And I’m still breathing
I’m still breathing
I’m still breathing
I’m still breathing
I’m alive (…)”

Dear Future Me 6

 

 

Let’s see how much I will have learned until the next year….

 

* * *

Dear Future Me,

it was a great surprise to receive a letter today — as it always is, I guess.

It’s “interesting” to see how some things are still the same, after one year… after almost two years… after a lifetime.
I feel some of those things as if they had happened yesterday — and then saudade strikes like a bicth. But some painful memories hit me as well, and then I feel kinda happy they are already in the past.

I finally left that job and some leeches who used to drain me dry. Some times I think/ask myself if that was really the best move (with the crisis and everything)… Specially since I had to “pay” for that (yeah, in money ALSO), but it was totally worth it. Undoubtfully.
I haven’t been working since the end of May, but soon I’ll have to start looking for a new job. The end of the month is my deadline, actually.
But I’m fine with that; I had a little bit of time to clear my head.

Even though I got really close to getting in the university I thought I would, I didn’t. And it turned out to be for the best.
I got in another one — which I found out is way better.
Despite the fact I’m not the most sociable person, I can keep conversations with almost everybody (the ones that matter — to me haha — at least). But “making friends” demands a lot from me and my patience.
And my grades are pretty good so far haha! I wish they were this good in my first semester in biology. This motivates me a lot; perhaps now I’m finally on the right track.

I’m also getting involved in some projects (extra hours!!!), which are quite interesting. I’m really getting some stuff done, and this makes me feel more useful.

Yet, somehow I continue to feel misplaced. And lonely, definitely.

My sister has traveled almost three months ago, and by the time I receive this she will be already here.
Probably I won’t have the chance to visit her there, and this hurts me in so many different ways.
I don’t feel “jealous”, but I still don’t know why I never got this chance (or the support to go after it).

Life at home crushes me more and more each day; I gotta find a way to get out of here. For my own sanity’s sake.

I’m still “single”. I wish I could move on at last; maybe then I could really meet someone, but it ain’t easy for me — and I can’t figure it out yet.
But I’m on the way, maybe. Therapy helps a lot with that — even though RIGHT NOW I feel quite stuck.

“This too shall pass”, I suppose.

The amount of things I had to write this time shows me how much has happened this year, but I still have a loooooong way to go.

I just hope I can keep finding energy and strength for that within myself, ‘cause I just feel like giving up from time to time.

But I’m more resilient than that — I guess.

“Keep on swimming”, dear.