Sonho 8 – “A oficina da estiagem”

Não sei como começou, ou não me recordo: sonhos têm dessas. Foi tudo em fast forward, feliz ou infelizmente.

Um novo contato nos levou a uma reaproximação.

Passamos uma noite juntos, mas acho que não conversamos realmente; pelo menos não sobre o que ou como deveríamos. “Amenidades”.

Ainda que essa parte tenha sido (infelizmente) muito rápida no sonho, e que eu não me lembre de detalhes, sinto que foi bom e intenso — como sempre.

As conversas posteriores, pra variar, é que foram defeituosas, precárias, incompletas — ingredientes essenciais para mais um fracasso inevitável.

E assim foi: por algum motivo, uma das conversas azedou rápido demais (nada incomum até aí), e ele se sentiu “””injustiçado””” (por falta de palavra melhor para descrever). Foi então que notei que ele tinha algum controle sobre “mim” (e não (só) metafórica ou figurativamente).

Era uma espécie de acesso remoto, que eu acompanho em tempo real enquanto estou sentada ao computador. Eu posso ver a seleção de trechos, o corta-cola-escreve-reescreve ocorrendo sem que eu possa fazer nada.

De repente, aparece na tela uma animação de um local desértico, de céu azul brilhante e brisa surpreendentemente leve e amena; em segundos, tudo se torna cinza, o vento lufa furiosamente, e se forma uma tempestade de raios.

Vingança. Não sei por que, ou do que.

Com aquela seleção parcial, ele constroi e resconstroi mais uma colcha de retalhos.

Consigo ver o título: “A oficina da estiagem”. Realmente, as palavras não me são de todo estranhas, mas não consigo entender o porquê dessa junção.

Na paisagem da animação, as palavras do texto começam a aparecer talhadas em uma grande rocha; mas ela está de lado, e é difícil enxergar. Conforme a viro na minha direção, consigo ler — mas já não me lembro mais de nenhuma das palavras.

Foi aí que o pesadelo “de dentro” acabou.

Foi massacrante — mais uma vez. Acordei, mas não por completo, e meu coração batia de uma maneira tão retumbante que eu literalmente consegui escutar minha pulsação, vibrando, no meu ouvido externo.

Nos poucos segundos que me separavam do son(h)o e da vigília, percebi que tive uma ideia “luminosa” (prum contexto surreal de pesadelo ela me pareceu boa mesmo): “um corte limpo, vertical, no braço esquerdo”.

Isso ocorre nos 47 do segundo tempo. Perco litros, mas me encontram e me levam correndo pro hospital. Eu sobrevivo.

Eu acordo de fato, desnorteada, e ainda escutando meu coração.

Antes disso eu já estava rolando de um lado pro outro; isso continuou depois, por mais que eu estivesse morrendo de sono.

Era 2:36am, se não me engano.

Ficou uma frase na minha cabeça, por algum motivo. Como se tudo não passasse mesmo de um jogo, eu ainda disse (para… ele? Pra tela? Pra mim?!), antes do fim do pesadelo: “Your move”.

24/02, 15:00: Não faz nem duas horas que eu o vi. Passando por onde já passamos juntos, de mãos dadas, em outra vida ou outro sonho. Mesmo antes de chegar perto, com meu carro “feio e estranho”, eu sabia que era ele. E mesmo até que ele esteja com o cabelo bem maior, o jeito de andar e o de segurar o cigarro continuam os mesmos. Acho que não há porquê negar que meu coração acelerou brevemente, e que eu queria ter visto mais antes de dobrar pra direita. Felizmente, mais uma vez, ele não me viu.

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