Fragmento 7 – Confusão

[Eu preciso escrever. Mas não sei nem bem por onde começar…]

As coisas não vão tão bem, e algumas estão muito fora do lugar.

Aliás, se for pra parar pra pensar local ou globalmente, está tudo errado, e isso também me afeta. E demais. Me sinto uma antena captando tudo isso, e ainda menor e inútil nos meus dramas.

Porém, feliz ou infelizmente, tenho também meus problemas pessoais pra resolver.

Ele finalmente está saindo de casa; nada que não esperássemos. Mas parece que está fazendo tudo que pode para complicar ainda mais nossas vidas.

Me irrita duplamente: primeiro por si só; mas também por ver que suas ações estão me transformando numa pessoa cada vez mais cínica e “esperta” — pra que ele não nos deixe “pra trás”.

Quer dizer: já está deixando.

Mas não vou admitir que nos deixe por baixo — principalmente à ela.

Na verdade, esse tem sido o ano pra endurecer. E, tristemente, pra perder também um pouco da ternura, talvez. E eu não queria isso… juro que não. Tenho feito o que posso pra nadar contra a corrente, mas há horas em que meus braços não aguentam mais, e eu só quero boiar.

Os golpes vão me atingindo, e eu sinto cada-um-deles. Mas alguns deles já nem doem mais.

Eu entendo e aceito melhor agora: eu “perdi” vocês dois, que nunca foram meus. Acho que, em alguns momentos, vocês me farão falta (mais um do que o outro, penso eu). Mas eu quero mesmo é ficar distante — porque, sim: vocês ainda conseguem me machucar. E sequer entendo por que. Ou melhor: entendo sim. Mas acho que ainda me recuso a acreditar que vocês se recusam a aceitar que, muitas vezes, fazem isso deliberadamente.

Finalizei o terceiro semestre do curso. Faltam 5 agora. Fiz oito disciplinas, e achei que seria engolida. Mas acabei, eu, engolindo tudo (por bem ou por mal): quatro 10, e a nota mais baixa foi 9. Grandes…

Tive muitas experiências boas na universidade, e outras nem tanto. Aprendi e descobri novas possibilidades, e passei por apertos. Alguns eu quero esquecer; e, ainda que sejam péssimos, outros prefiro que fiquem vivos na memória.

Mas a confusão e a incerteza estão tomando conta de mim novamente…

Eu quero dar aulas?! Eu não sei!… Não sei mesmo. Não foram poucas as vezes que, nos últimos dois meses, pelo menos, fui acometida por esses pensamentos, de que eu estou no lugar errado, de novo fora do “meu caminho”.

E que “caminho” é esse?! Porque eu não faço a mínima ideia…

Porém, em geral, eu estou feliz e satisfeita com o que venho aprendendo.

E eu tenho planos. Eu acho. Não quero continuar estudando? Fazer mestrado, e daí doutorado?!

Sim, com certeza. Mas e depois?!

Eu não deveria parar de estudar agora. Caso contrário, nem terei turma para a qual voltar depois. E será que eu voltaria?

Mas preciso trabalhar mais. Precisamos de mais dinheiro. Ele está saindo de casa, e as coisas ficarão ainda mais difíceis.

Tá tudo fora do lugar. E eu não sei nem por onde começar…

Sinto que uma recaída se aproxima rapidamente, e eu realmente não queria isso…

2016 foi um ano muito errado. E os próximos não me parecem muito melhores.

Por que mesmo é que a gente deve seguir lutando?!

“(…) If I could start again

a million miles away

I would keep myself

I would find a way…”

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