Sem nome, mas com endereço

Uma semana atrás tive a oportunidade de presenciar uma das coisas mais lindas dessa minha encarnação — e eu não estou exagerando, nem mentindo (quem sabe sobre a parte de acreditar em encarnações).

Fui em um show e lavei a alma. Dancei, curti de até fechar os olhos e me perder nas melodias e nas letras, dei um presente pros meus olhos (as luzes, a cortina subindo no momento certo, a interação no palco…), gritei, cantei junto, ri, … e chorei também.

Exatamente nessa música, diga-se de passagem.

Fui sentindo aquele aperto típico, mas pensei que logo fosse passar.

Quem disse…

A música seguiu, e eu me deixei levar com ela. Deixei também que ela levasse de mim todas as lágrimas que quisesse, pois nem elas poderiam pagar o que valeu aquele momento.

Nunca dá exatamente certo, mas eu sigo tentando:

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Ao lado meu

Eu já estou sentindo aquele típico nó na garganta, que logo tranca meu nariz e meu coração.

Me lembrei agora que foi nesse mesmo sofá, onde estou agora, que você sentou ao lado meu.

A manhã era fria, e eu te peguei na universidade. Ia te mostrar uns fósseis, mas acabei me esquecendo de levar a chave do laboratório… Acabou que de lá viemos para cá, pra matar um tempo.

Você sentou na ponta da esquerda, e eu sentei no lugar do meio. Meu joelho doía, então estava com uma bolsa de gel fria, e as pernas em cima do seu colo.

Você me abraçou, e aquele foi o melhor presente de aniversário que eu poderia ter recebido — ainda que você não soubesse antes que era naquele dia (teria feito diferença?).

O momento não durou muito, infelizmente; logo tivemos que sair. Mas durou o suficiente pra ficar pra sempre na minha memória — ou melhor: para se juntar à todas as outras.

Naquela época mesmo as coisas mais insignificantes rapidamente se preencheram de sentido e valor — ao ponto de, até hoje, tantos signos me remeterem às mesmas imagens mentais.

Enfim… Não sei se fui enfática o bastante, mas fui grata. Sou, até hoje.

E esse episódio já tem um pouco mais de três anos…

Acho que cada momento tem mesmo um começo, um meio, e uma data de validade (que nos é) misteriosa, que marca o inevitável fim.

Penny and Dime

 

daredevil-bench

 

Father Lantom – Nothing shines a halo faster than death, Matthew. But funerals are for the living… and revising history… only dilutes the lessons we should learn from it.

(…) Guilt can be a good thing. It’s the soul’s call for action. The indication that… something is wrong. The only way… to rid your heart of it… is to correct your mistakes and keep going… until amends are made.

I don’t know what you didn’t do or what you should have done… but the guilt… the guilt… means your work is not yet finished.

Daredevil (Netflix, 2016), Season 2, Episode 04