RM

 

Sábado, 12 de março de 2016, aproximadamente 11pm

” — Não consegui tirar esse…
— Vou ver com ela.
(…) É… É que pra você ter noção, quando entra na sala puxa até o aro do sutiã. Pode estourar a partezinha da sua orelha”.

Ou algo assim.

“Começamos bem”, pensei.

“RM” era o código no papel. A roupa azul gigante sobrava em todos os lados, e com aqueles sapatinhos daria pra escorregar no chão.

Para inserir o cateter de silicone, o 5o. furo do ano. Ou 6o.? Já perdi as contas; e também já não me encolho mais nas picadas.

Me deito e chegam as duas moças pra me ajeitar. Prendedores, um grande protetor de ouvido… Um “Tá tudo bem?” abafado; “Essa bolinha é pra você se comunicar com a gente; aperte se precisar falar”. Okay.

No teto uma espécie de mural, ou uma foto dividida em paineis; flores brancas com uma folhagem verde ao fundo. Mas não consegui identificar quais eram; estava sem os óculos (“Boas notícias! Estabilizou em 2 graus”).

A máquina é ligada, e eu “escorrego” pra dentro do tubo. Um ar fresco sopra, e logo eu entendo o porquê.

O barulho começa. Barulhos, na verdade. São diferentes, ainda que alguns se repitam de tempos em tempos, e eu penso que poderiam ser usados pra compor uma música eletrônica. E daí me lembro que já tinha visto em algum programa de TV, que em alguns lugares eles tocam música clássica, ou conversam com a pessoa; seria melhor. “Tá aqui minha playlist. Bora fazer a festa”.

Fico impressionada com o quanto estou confortável, mesmo naquela posição. Em pouco tempo já estou familiarizada com cada linha e risco dentro do meu campo de visão; “Eles precisam dar uma limpadinha aqui… Se ao menos tivesse algum texto…”. Haha.

Pelo menos não senti nada quando começaram a injetar o contraste; nem sei quando foi isso, aliás. Mas os sons são repetitivos demais e, conforme o tempo passa e o calor (gerado pela máquina) aumenta, cresce também a sensação claustrofóbica e a paranoia de que de fato meu tragus poderia explodir (“Será que aço cirúrgico puxa?”. Nota mental: trocar essas joias de uma vez).

A mão doi. O nariz começa a coçar. E daí o ouvido…

“Pfff, não vai acontecer nada. Por outro lado… a Lei de Murphy de fato me persegue mesmo… Caralho“. Vejo uma das moças passando e tento não me animar demais, mas suponho que está quase acabando.

Finalmente escorrego pra fora. Mais um “Tudo bem?” abafado, antes que minhas mãos estejam soltas e eu possa tirar o grande protetor.

Pergunto se elas tem que escutar aquilo também, mesmo sabendo que a resposta provavelmente era negativa. “Não, quase nada; vocês tem que usar, porque passa de 85 decibeis, pode ocasionar danos”. Humm… é, pois é.

Calculei 30 minutos, aproximadamente. Não é muito, mas foi o suficiente.

Foi essa a minha primeira? Primeira de algumas? Ou de muitas?!

A inflamação não parece estar cedendo. Nem a fadiga. Muito menos a dor.

Quarta fica pronto o exame do gene. O que me lembra que eu tenho que tentar mudar a data de entrega das ressonâncias; quarta não vai ter gente em casa. É muita sorte que eles entreguem de graça – mas de nada adianta se ninguém puder receber.

“Se pelo menos eu soubesse quando ele volta…”. Mas não sei.

Já não sei de muita coisa mais.

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