“Você é especial para Deus”

Terça, 10 de novembro. Aproximadamente 9pm

Foto2528[1]

Ainda que eu ande/andasse em ‘trégua”, agora já não aguento mais olhar praquela que me encara quando olho no espelho.

Poucas vezes me senti tão feia, tão caída e tão… gorda (mesmo que isso seja uma constante, não é sempre nesse nível).

Talvez tenha sido isso o que me fez correr (mais rápido) pra academia hoje; há tempos já não consigo mais ir regularmente. A aula de pilates (“pilates… que burguesa”) foi boa, mas agora minhas costas doem — pra variar.

Adicione à isso, é claro, um bom tanto de tensão.

A estranheza não se resume ao que eu vejo por fora, naturalmente; é possível que eu não esteja mais feia ou mais gorda do que o “normal”. Mas, ao mesmo tempo, resume tudo.

E a insatisfação vem em um momento que eu produzo tanto!… Vai entender.

Que bosta; eu queria descansar. E eu não vou poder fazer isso tão cedo, o que só me lembra das viagens que eu não vou poder realizar, das pessoas que não vou poder ver…

No atoleiro o meu corpo — enorme e disforme — afunda (ainda mais).

Decido fazer uma omelete de forno; seria o meu jantar hoje, e o meu almoço amanhã (não está fácil — muito menos barato — pra ninguém).

Ovos têm muitas proteínas, que são importantes para a formação da massa magra; eles dão uma sensação de saciedade, evitando o consumo de mais carboidratos. Começo a abrir os ovos separadamente; eles já estavam há muitos dias na geladeira (já não tenho cozinhado tanto quanto antes), e poderiam estar podres. Percebo que havia deixado alguns pedacinhos de casca se quebrarem junto e, ao tirá-los, outra coisa chama a minha atenção: além do blastodisco bem visível e das calazas nojentinhas, havia um pouco de sangue. No terceiro ovo mais ainda.

“E se eu achasse um, em estádio ainda mais desenvolvido?” (sim, “estádio”; lembro muito da professora frisando isso). Acho que seria um “trauma” muito “útil”.

A massa fica bastante amarelada; parece até que tem corante. Coloco calabresa cortada em pequenos pedaços — meu pai haveria de “reclamar” (por mais que o tomate fosse, pra mim, mais do que suficiente). Mas pretendo mudar isso logo: há meses já me comprometi a iniciar 2016 vegetariana.

Já queria isso há um bom tempo, por N motivos — mas sei agora que, hoje em dia, são todos meus, e sei que vai ser no tempo certo.

A cozinha está uma bagunça, mas a culpa não é minha; de qualquer forma vou também limpando as coisas. Faço a omelete enquanto ponho uma dessas pizzas prontas (horrorosas) no forno e passo o café. Fecho a garrafa térmica — mas ela não fecha direito e eu não me dou conta. “Porra de garrafa!”; o líquido quente e escuro dá um banho na cozinha.

E agora EU tenho que secar…

Vou tirando as coisas da bandeja e uma caixa de chá, de papel, cai numa pocinha de café. Caralho. “Is that all you got? I’ll take your best shot!”.

A impaciência vai crescendo — e a dor também (em todos os sentidos). Ganas de gritar.

Lavo as coisas que se sujaram mais, e percebo que uma pequena caneca — um presente dado à minha mãe, e de extremo mal gosto (na minha opinião por diversos motivos) — tem, na lateral, “Você é especial para Deus”.

Boa. Era SÓ isso que me faltava. Será que se eu fizer piada com isso o diabo vem me buscar mais rápido?!

Ao tentar pegar uma xícara no armário — sempre esse maldito armário — quebro uma lasca da borda de uma caneca. “Caramba!!! Hoje tá difícil!!!”. Não quis gritar um palavrão, mas senti até o bolo da vontade de chorar entupindo a garganta.

Eu já deveria tirar a porra da caneca de lá. Tenho certeza de que eu vou esquecer, e serei a primeira a beber naquilo — que vai fazer sangrar a minha boca, me causando um novo surto.

As vezes eu acho que é disso mesmo que eu preciso, de tempos em tempos: sangrar. Pra expurgar, talvez.

Como pode uma pessoa ser tão desastrada?! Tão desencaixada, errada, confusa?! “Você é doente! É inconstante!”.

Não; ninguém me falou isso (em voz alta). Mas eu posso imaginar (e sentir — ainda que não tenha sido pra mim) o quanto é dificil.

Vou dormir, antes que a raiva comece a me dar azia e me consuma por dentro. Mas, pelo menos, eu sou especial para Deus, não sou?!

Dois Dorflex. Boa noite.

——-

Hoje eu senti muita sede. Mas nem mil litros de água poderiam aplacá-la.

Quero colo. Diminuiu ainda mais o número de pessoas com quem posso falar.

Mas, ao mesmo tempo, quero que muitos se danem.

(Novo low altamente ilustrativo: não consigo achar uma das minhas meias; vou dormir com uma só)

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