Sonho 7 ou “Engavetamento termina em morte”

Quarta, 09/09/2015

Estava passando sob um viaduto. Aliás, aquilo era mais uma trincheira, com três ou quatro pistas, tipo as que tem na Augusto Stellfeld ou na Visconde de Guarapuava, com as laterais de concreto. Tudo isso e as curvas lembravam a um ex de Mônaco – haha, só que não.

Não estava chovendo naquele exato momento, mas a pista estava molhada. Não sei se foi a moto ou se ela foi apenas uma distração, mas o fato foi que o carro da frente aquaplanou um pouco.

Estávamos saindo da curva a pelo menos 60km/h, numa ligeira subida, e eu não consegui segurar o carro; ele deslizou também. Ia, inevitavelmente, bater no carro da frente – uma caminhonete mais velha, rebaixada, cabine simples, cor de grafite.

Minha reação foi relativamente rápida, mas eu já estava muito próxima dela. Na hora em que afundei o pé no freio senti meu coração acelerar como se eu tivesse levado um murro no lado esquerdo do peito, e meus olhos se abriram.

Senti uma dor de cabeça instantânea, que, acho eu, tem a ver com o fato de que boa parte do meu sangue foi imediatamente direcionada pro meu cérebro; a imagem que me vem aos olhos é de uma multidão correndo pelo corredor de um hospital, forçando passagem através de uma daquelas portas duplas, que se fecham sozinhas. Vezes dois: um para cada lado da cabeça.

Que bosta. Minhas mãos tremem um pouco até agora.

Já está bastante tarde; quer dizer, muito mais tarde do que eu planejava ir pra academia.

“Tudo” bem; eu estou mesmo com muitas dores no corpo. E estou cheia de textos pra ler pra faculdade.

Há algum tempo (bem possivelmente) este teria sido o gatilho apertado para desencadear uma crise de ansiedade; hoje não mais, creio (espero?) eu. A garganta ainda está um pouco “entalada”, mas, passados alguns minutos, as mãos já não tremem mais.

“Eu poderia ter ido pra casa dele”. Poderia mesmo, mas acho que isso não teria impedido o “acidente” de ter acontecido.

Teria sido um daqueles “motorista morre na hora em um engavetamento na tarde de quarta-feira, após o carro aquaplanar. Saiba mais”.

Menos mal – eu acho. Quanto a morte súbita, digo.

 

“ – Tive um “sonho” muito tenso. Você já sonhou com a sua morte?

– Já.

Como você morreu?”

Hoje eu morri, mas não foi pela primeira vez.

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