Divagação 5: breve comentário sobre encontros e desencontros

Meados de setembro, 2015

“Como um gatilho sem disparar
você invade mais um lugar onde eu não vou…”

Uma vez ela me disse que poderiam se passar vinte anos e, ainda assim, eu provavelmente não teria controle da minha reação se eu o visse; ela disse que meu coração, assim como o de tantas outras pessoas, em tantas outras situações (similares ou não), provavelmente iria acelerar, sem que eu pudesse impedir isso.

As vezes eu tenho a sensação de que, ao dobrar esta ou aquela esquina, um dia vamos dar bem de cara um com o outro. Mas as vezes tenho a sensação de que não nos veremos nunca mais.

E eu não faço a mínima ideia de qual perspectiva me “assusta” mais.

(… ainda que eu saiba qual eu mais gostaria — ou, no mínimo, preferiria — que acontecesse.)

Anúncios

Sonho 7 ou “Engavetamento termina em morte”

Quarta, 09/09/2015

Estava passando sob um viaduto. Aliás, aquilo era mais uma trincheira, com três ou quatro pistas, tipo as que tem na Augusto Stellfeld ou na Visconde de Guarapuava, com as laterais de concreto. Tudo isso e as curvas lembravam a um ex de Mônaco – haha, só que não.

Não estava chovendo naquele exato momento, mas a pista estava molhada. Não sei se foi a moto ou se ela foi apenas uma distração, mas o fato foi que o carro da frente aquaplanou um pouco.

Estávamos saindo da curva a pelo menos 60km/h, numa ligeira subida, e eu não consegui segurar o carro; ele deslizou também. Ia, inevitavelmente, bater no carro da frente – uma caminhonete mais velha, rebaixada, cabine simples, cor de grafite.

Minha reação foi relativamente rápida, mas eu já estava muito próxima dela. Na hora em que afundei o pé no freio senti meu coração acelerar como se eu tivesse levado um murro no lado esquerdo do peito, e meus olhos se abriram.

Senti uma dor de cabeça instantânea, que, acho eu, tem a ver com o fato de que boa parte do meu sangue foi imediatamente direcionada pro meu cérebro; a imagem que me vem aos olhos é de uma multidão correndo pelo corredor de um hospital, forçando passagem através de uma daquelas portas duplas, que se fecham sozinhas. Vezes dois: um para cada lado da cabeça.

Que bosta. Minhas mãos tremem um pouco até agora.

Já está bastante tarde; quer dizer, muito mais tarde do que eu planejava ir pra academia.

“Tudo” bem; eu estou mesmo com muitas dores no corpo. E estou cheia de textos pra ler pra faculdade.

Há algum tempo (bem possivelmente) este teria sido o gatilho apertado para desencadear uma crise de ansiedade; hoje não mais, creio (espero?) eu. A garganta ainda está um pouco “entalada”, mas, passados alguns minutos, as mãos já não tremem mais.

“Eu poderia ter ido pra casa dele”. Poderia mesmo, mas acho que isso não teria impedido o “acidente” de ter acontecido.

Teria sido um daqueles “motorista morre na hora em um engavetamento na tarde de quarta-feira, após o carro aquaplanar. Saiba mais”.

Menos mal – eu acho. Quanto a morte súbita, digo.

 

“ – Tive um “sonho” muito tenso. Você já sonhou com a sua morte?

– Já.

Como você morreu?”

Hoje eu morri, mas não foi pela primeira vez.