Wish you were here

“So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain.
(…)
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here.
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here”

Neste universo

21:23, Qui 30/04/2015

“If you don’t mind leave, leave

And please yourself at the same time leave, leave

Let go of my hand

You said what you came to now leave, leave…”

[“Leave” – Glen Hansard]  – este conto foi inspirado nesta música.  

*   *   *

Eu vejo a tua mão se soltando lentamente da minha – quase como um efeito slow motion palpável. Mas não; é que na verdade a gente ainda se segurava como podia, e quando viu os dedos se desentrelaçarem o cérebro registrou mal e incredulamente o movimento.

Esta teria sido como uma daquelas cenas em que alguém, à beira de um precipício, se segura até o último de sua força na mão de outra pessoa, a qual, mesmo fazendo um esforço sobre-humano, não consegue mais resistir.

Você não conseguiu mais.

Eu, por mim (e por você! Por ‘nós’!), acho que teria suportado mais um pouco, mas penso que não tardaria muito até que meus dedos adormecessem – e eu perdesse o controle sobre eles, consequentemente.

Te vi se afastando de mim.

Ora era você em queda livre, ora eu, como numa daquelas imagens de ilusão de ótica difíceis de decifrar.

Creio que (ainda que por alguns momentos) nos vi pairar (ainda que separadamente), e julguei (ainda que brevemente) que houvesse salvação para nós.

Separados, talvez. Mas juntos não.

Foi difícil dizer ‘adeus’; acho que sempre é, principalmente quando você entende que um ‘adeus’ não é um mero ‘tchau’, ou um ‘até depois’. É definitivo, como qualquer outro fim.

Em um multiverso diverso acho que tentamos novamente, enquanto noutro a despedida aconteceu até mais cedo. Noutro eu te salvei da queda. E em outro você me salvou. Em outro nem chegamos perto da beirada (talvez noutro nós chegamos, mas vencemos a força da gravidade).

Em um outro ainda, quem sabe, sequer nos conhecemos. Com precipício ou sem. Sem começo ou fim.

Mas é só esse que conhecemos; pairamos (sabe-se lá se não à deriva!) na (sur)realidade deste universo.

Não consigo tirar esta imagem da cabeça. Tivesse eu estendido mais uma mão!… Tivesse você!…

Do chão não hemos de passar (dizem). Quem sabe algo apare a nossa queda.

Você não precisa fazer isso por mim, caso seja eu que venha a desabar; mas se quiser eu desço até onde for (seja lá onde for!) pra te buscar, caso seja você. Te ponho em pé novamente, limpo de ti a poeira e, te olhando fundo nos olhos, te proponho que façamos um pacto: juntos ou separados, vamos prometer nos manter longe da beirada.

Chega de cair nessa vida (exceto se for por amor) – ainda que a gravidade nos puxe violentamente para baixo.

“Life is pain”

After a considerable period of silence, something clicked inside. And the “urge” to post something made me remember I had this as some sort of draft — which, most certainly, deserved to see, once more, the daylight (of internet).

I was kind of “saving it”, for a moment when it would perfectly translate my state of mind.

This moment has sort of “repeated” itself many times during the past few (not exactly “few”, but anyways…) months — the past few weeks definitely included. But I was so demotivated I avoided thinking about writing anything (which was something that actually brought me back to “life” last year). How rude of me. How “wrong of me”.

At this exact moment the physical pain is actually the worst part — yet, it hasn’t taken over me. I can still think quite clearly, and some perspectives actually look brighter, even though I’m tired.

Yes; I’m exhausted. But somehow I guess I can walk a little more. I can go a little further. As always.

I don’t know my limits yet — fortunately. Tomorrow I might finally break apart. Who knows?!

All I can do is keep walking, I suppose.

Life is pain, indeed.

However, may this serve today as an example of my resilience to it.

 

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