Sonhos

23:19, Sáb 04/04/2015

“Poutz, sério mesmo que é ESSA música que tá tocando? Tinha que ser ESSA?!”. Pensando bem, tinha sim; faz todo o sentido: é trilha de novela das 9 da Globo. Deve ser a faixa especial de algum casal ou algum(a) personagem recém-separado(a)…

Ouvi-la depois de tanto tempo me gerou sentimentos confusos, contraditórios e misturados.

Já conheço essa música há tanto tempo!, e ela já agregou tanto significado de tudo quanto é lado… que é totalmente impossível escutá-la sem lembrar de mil coisas (que, as vezes, eu queria mais é esquecer).

Mas daí ela toca, e o “alerta ‘bad'” soa muito depois, como um dispositivo de segurança mal instalado, que, muito atrasado, só dispara o alarme após o roubo.

Na voz do Peninha ela sempre me deu uma impressão de “corno manso”, que não faz jus a beleza do aprendizado proveniente desta história. E na versão do Caetano, apesar d’eu até apreciar a urgência no jeito de cantar, acho que ela não “orna” com a serenidade da compreensão e a maturidade adquirida após o episódio tão doloroso. E na da Marisa… bom, Marisa, você é você; a lista do mercado na tua voz competiria pau a pau com os passarinhos lá fora. No entanto, algo ainda está fora do lugar. O arranjo talvez.

Queria escutar essa música na interpretação de alguma voz mais “firme e forte”, mas ainda assim sensível. Seria uma delícia se fosse a de um homem, mas acho que seria impagável na voz da Maria Gadu (ainda que eu não seja tanto sua fã), ou até mesmo na da Alice Caymmi, minha nova queridinha, por exemplo. Elas me passam a impressão de que sabem e sentem o que estão cantando – e o que eu estou sentindo quando as ouço cantar. Eu até a gravaria, desse eu mais crédito a mim mesma.

Seja como for, alguém tem que lhe fazer justiça. Todo esse (auto)conhecimento precisa e deve ser devidamente reconhecido, ainda que nascido de uma boa dose de dor.

Aliás, afinal, não costuma ser assim mesmo? Crescimento e dor? Crescimento da dor? Dor que dá, (com sorte, ainda que eventualmente) passa, e deixa no lugar muita coisa pra rearranjar e história pra contar (ou guardar).

Gosto muito de você, mas hoje quero te silenciar, porque você fez outras vozes gritarem mais alto dentro de mim. Não fique chateada; a novela acabou de começar, e eu sei que, ainda que sem querer, eu acabarei te escutando (abafada em algum quarto, ou ao zapear os canais na TV).

Como não sou de novelas, provavelmente perderei o próximo capítulo. Em outra noite a gente se esbarra; sei que hei de te ouvir ecoando no ar. Caso não, a memória há de te trazer sempre de volta pra mim, quando eu passar por aquele parque, ou mesmo deitada na minha cama.

De qualquer forma espero que seja mesmo como você diz, companheira: “certamente eu vou ser mais… feliz”.

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