Vista 1

Na Getúlio Vargas; é assim que, sutilmente, o breu da noite minha de cada dia ganha um pouquinho de cor.

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Major Tom

“Ground Control to Major Tom
Ground Control to Major Tom
Take your protein pills and put your helmet on…”

Ha. A Kristen Wiig sabe cantar. Mas cantar de verdade. Quem diria… aliás, quem diria que esse seria um filme interessante de verdade?! As vezes eles até que acertam.

“This is Ground Control to Major Tom
You’ve really made the grade
And the papers want to know whose shirts you wear
Now it’s time to leave the capsule if you dare
(…)Though I’m past one hundred thousand miles
I’m feeling very still And I think my spaceship knows which way to go”

Não, eu não sei realmente para onde estou indo. Não sei para onde exatamente quero ir. Na verdade já me considero quase que sortuda a cada momento que eu me sinto de fato chegando a algum lugar.

Mas, de forma quase que contraditória, tem se tornado cada vez mais fácil discernir quais caminhos (e andantes) eu devo evitar; foi disso basicamente que tratamos na sessão passada. É simbólico, eu sei (e a gente também), mas estou cada vez mais preparada para fechar certas portas. Isso me faz respirar com um pouco mais de alívio.

De volta ao filme: sei como é isso de ficar sonhando acordada.

“Sonhava acordada, dormia agoniada, passava o tempo todo a lembrar…”

Mas será que, algum dia, vai acontecer algo, de fato? Se eu me sinto tão presa e enjaulada, isso é um sinal ou é apenas um devaneio de grandeza? Será que um dia eu começarei a viver, realmente? Ela disse que agora eu aparento ter mais força; que ano passado eu parecia abatida (mas ressaltei que isso era – como ela logo admitiu – lógico e de motivação quase que óbvia). E que o fato de falar sobre isso parece ser algo bem positivo (a se explorar? A se nutrir?!).

“This is Major Tom to Ground Control
I’m stepping through the door
And I’m floating in a most peculiar way
And the stars look very different today”

Sim, e a lua também. Esta semana, em particular, ela estava linda. Daqui de casa dá pra ver as estrelas no céu. Elas sim emitem luz própria. Será que no centro dá pra ver também? Nunca reparei. Tomara que sim; ainda gostaria muito de morar por lá.

For here
Am I sitting in a tin can
Far above the world Planet Earth is blue
And there’s nothing I can do”

Eu sou tão menor que tanta coisa. Acho que preciso me lembrar mais disso quando os meus problemas, dores, incertezas e pensamentos auto-destrutivos começarem a (tentar) me engolir. Eles também são mais diminutos e mais vis; não deveriam e nem podem me assustar tanto assim. É um exercício de humildade até.

Como ela disse, estou no processo – assim como você, Major Tom. E você também, Walter Mitty. Apesar do grande clichê que virou isso tudo, me identifiquei com vocês. Profundamente.

“Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear….”

Sonhos

23:19, Sáb 04/04/2015

“Poutz, sério mesmo que é ESSA música que tá tocando? Tinha que ser ESSA?!”. Pensando bem, tinha sim; faz todo o sentido: é trilha de novela das 9 da Globo. Deve ser a faixa especial de algum casal ou algum(a) personagem recém-separado(a)…

Ouvi-la depois de tanto tempo me gerou sentimentos confusos, contraditórios e misturados.

Já conheço essa música há tanto tempo!, e ela já agregou tanto significado de tudo quanto é lado… que é totalmente impossível escutá-la sem lembrar de mil coisas (que, as vezes, eu queria mais é esquecer).

Mas daí ela toca, e o “alerta ‘bad'” soa muito depois, como um dispositivo de segurança mal instalado, que, muito atrasado, só dispara o alarme após o roubo.

Na voz do Peninha ela sempre me deu uma impressão de “corno manso”, que não faz jus a beleza do aprendizado proveniente desta história. E na versão do Caetano, apesar d’eu até apreciar a urgência no jeito de cantar, acho que ela não “orna” com a serenidade da compreensão e a maturidade adquirida após o episódio tão doloroso. E na da Marisa… bom, Marisa, você é você; a lista do mercado na tua voz competiria pau a pau com os passarinhos lá fora. No entanto, algo ainda está fora do lugar. O arranjo talvez.

Queria escutar essa música na interpretação de alguma voz mais “firme e forte”, mas ainda assim sensível. Seria uma delícia se fosse a de um homem, mas acho que seria impagável na voz da Maria Gadu (ainda que eu não seja tanto sua fã), ou até mesmo na da Alice Caymmi, minha nova queridinha, por exemplo. Elas me passam a impressão de que sabem e sentem o que estão cantando – e o que eu estou sentindo quando as ouço cantar. Eu até a gravaria, desse eu mais crédito a mim mesma.

Seja como for, alguém tem que lhe fazer justiça. Todo esse (auto)conhecimento precisa e deve ser devidamente reconhecido, ainda que nascido de uma boa dose de dor.

Aliás, afinal, não costuma ser assim mesmo? Crescimento e dor? Crescimento da dor? Dor que dá, (com sorte, ainda que eventualmente) passa, e deixa no lugar muita coisa pra rearranjar e história pra contar (ou guardar).

Gosto muito de você, mas hoje quero te silenciar, porque você fez outras vozes gritarem mais alto dentro de mim. Não fique chateada; a novela acabou de começar, e eu sei que, ainda que sem querer, eu acabarei te escutando (abafada em algum quarto, ou ao zapear os canais na TV).

Como não sou de novelas, provavelmente perderei o próximo capítulo. Em outra noite a gente se esbarra; sei que hei de te ouvir ecoando no ar. Caso não, a memória há de te trazer sempre de volta pra mim, quando eu passar por aquele parque, ou mesmo deitada na minha cama.

De qualquer forma espero que seja mesmo como você diz, companheira: “certamente eu vou ser mais… feliz”.