Bala perdida

21:50, Qui 26/03/2015

Saio em disparada e atravesso tudo o que há no caminho. Paredes, pessoas, água, fogo, terra e ar. Me movimento tão rapidamente que alguns e algumas mal me veem passar.

Não era a minha intenção, realmente. Mas estou ali, seguindo em frente, sem sequer ter como parar.

Nem sei se deveria querer isso. Não sei nem se de fato tenho querer.

Você me vê chegando e o teu coração acelera.

A adrenalina é liberada, mas você estanca, sem reação.

O sangue, que ora corre e pulsa nas tuas artérias e veias, é o que agora tinge a tua camisa branca de vivo vermelho.

Me desculpa; não acho que deveria ser exatamente assim.

Mas é no teu peito que eu vou repousar.

Tudo bem se você cair agora; o chão há de aparar a tua queda.

Agora faço parte de ti; somos um.

Me desculpe também se te faço mais fraco; não foi uma escolha, e, como disse, nem acho que era pra ser. Porém, agora assim será. Assim já é.

Não era você o meu alvo; ainda assim te acertei. Acertei e aceitei. Me aceita também?

Aceita essa sorte incerta – talvez seja melhor assim.

Você me parou; obrigada. É possível que eu vá com você a partir de agora, não importa para onde você há for.

Tentarei não incomodar (ainda mais), mas acho que a lembrança e a marca serão eternas.

No entanto ficarei aqui, quietinha e imóvel, se você me deixar ficar. Essa jornada involuntária já me bastou; agora eu prefiro ficar cravada na tua carne.

Se eu fui uma bala perdida, acho que agora me achei em ti.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s