Boa noite

2:30, Sex 17/10/2014

O relógio despertou ás 06:50, mas eu já tinha acordado algumas vezes antes; a última tinha sido ás 6, eu acho. Nessa época os dias começam a amanhecer mais cedo, e ontem eu já tinha quase entrado em pânico lá por 05:40, achando que era bem mais tarde.

Tinha sessão ás 9. Voltei em casa, antes das 11, tomei banho, fui comer e acabar de me arrumar. Saí quase ás 13:00. E cheguei ás 22:35. “25 minutos… É um bom tempo. Mas claro que o horário ajuda”.

Eu já estava mega cansada, mas começou um GNT.doc muito interessante; “Irmãs gêmeas”. Era sobre duas meninas chinesas, que foram adotadas por famílias  diferentes: uma da Noruega e a outra dos Estados Unidos. Felizmente descobriram a “coincidência” (se é que se pode chamar a má-fé do governo assim) ainda no dia da adoção, então as meninas mantiveram contato.

Se torna óbvio o peso da distância e até mesmo da língua. Mas ver as meninas brincando e se descobrindo, quando a família americana vai até a Noruega, com o perdão pelo clichê, “não tem preço”.

Agora são pouco mais de 2 da manhã, e amanhã eu tenho que levantar ás 07:30. Parece que eu gosto mesmo de sofrer, haha. No entanto, eu simplesmente não consegui desligar a TV.
E foi quase na última cena, na qual as famílias e as meninas se despedem no aeroporto, que eu chorei junto e me lembrei da manhã.

Nós não nos víamos havia duas semanas, justamente após um dos acontecimentos mais impactantes do ano. E eu não conseguia parar de bocejar, pois já estava muito cansada. Porém, ainda assim, eu estava atenta a cada questão, resposta e olhar.

Ela fez uma observação, de que os momentos de “grande tristeza” pareciam estar mais espaçados, e perguntou se era isso mesmo; “é importante monitorar”.

Eu tive que concordar com ela (felizmente, eu acho), mas já naquele momento eu senti os olhos marejarem.

Foi como se todos os sentimentos, que estavam entorpecidos e abafados por todas essas mudanças e correrias do dia-a-dia, tivessem aflorado.

Foi instantânea a saudade e a vontade intensa de estar com alguém e estabelecer alguma forma de contato. Ao mesmo tempo também foi ligeira a vontade de ir pra casa, me deitar, e dormir por dias.

O que isso diz sobre mim? Que de fato se confirmam as tendências duplas e instáveis que eu reconheço na minha personalidade?

Percebi que ando tendo aqueles momentos de “delírio” novamente (quem diabos são essas pessoas que eu sinto que preciso procurar? Durante estes momentos as respostas parecem ser tão claras! Mas enquanto eu estou lúcida não consigo entender o que e por que isso está acontecendo). Tenho dormido relativamente pouco, e, além disso, muito mal. Minhas costas doem, assim como doíam em abril (pelo menos agora eu sei o porquê).

Talvez não ter tempo pra pensar seja bom e protetivo. Por um tempo.

Eu queria poder acordar cedo, mas não pra começar a surtar antes do despertador tocar; eu queria ir pra academia, depois tomar um banho e daí “viver”. Mas eu queria também não ter que acordar, e poder dormir ad eternum, pra ver se o meu cérebro descansa e para de me pregar essas peças em forma de alucinações, e de expandir essas redes de conexões e memórias bizarras que eu tanto costumo estabelecer.

Foda. Seja como for, acho melhor, antes de mais nada, eu ir dormir.

Rotten

The kitchen counter has a reasonable size. It is beautiful, made from granite with mica, and rosy feldspar and quartz.

I know about the names because I still vaguely remember the Basic Geology subject I had during the university. It was almost a subject “for dummies”, but I learned a lot. Up to the point I actually thought about getting a post-graduation in Geology.

At that time I enjoyed more what I was doing, I think–or, maybe, I was simply more alienated and innocent.

Anyways… the counter is nice. The sink is right in the middle, and underneath all of it there is a relatively big cabinet, made to fit the exact proportions of the kitchen. Some time ago the part in the back of the structure had to be replaced; on the outside everything looked fine but, below it, the wood was rotting due to the humidity. So, before it fell apart (a miracle, taking into account the domestic dynamic underdeveloped within the walls of my house), the replacement happened.

However, it was not well done, and, as a consequence, the counter is now uneven; ever since it accumulates more water on the right side.  Which means that, unless someone “pushes” the water into the sink, it will just stay there, still and exposed, drenching everything that stays over the counter. It is basically impossible to leave anything on it, except if you want to run the risk of letting it slowly (or not, depending on how much water is there) be ruined.

Nonetheless it is, indeed, a beautiful counter. It makes a good impression–even if it hides the imperfect, faulty structure, and even if it that may, one day, give us more trouble. The problem seems to be quite simple to solve, actually, though it may be, possibly, laborious.

But who will bother?!

Meanwhile we push the rests and the water down the drain, dry the surface and hope everything will be okay.