Calos

3:02, Qui 06/02/2014

Calos são feios. Chatos. Inconvenientes.

Poderia ter um em cada pé, depois de inúmeras vezes usando as sapatilhas que eu tanto gosto (elas costumam ser uma graça; parecem coisa de boneca, e penso que me dão um ar delicado, que eu normalmente julgo não ter. Mas não têm nenhuma dó ou piedade dos pés, e inevitavelmente machucam, ainda mais dependendo de onde ou por quanto tempo eles resolvam caminhar). Mas não.

Percebi um no meu pé, na parte de trás, do calcanhar. Se formou em um só. Pé esquerdo. E eu sei exatamente por qual dia foi; lembro do dia como se tivesse sido hoje.

Uma péssima tarde, de um dia que até então tinha sido bom, e que tinha tudo pra evoluir para uma noite excelente. Andando, pela XV, caminho de volta, até a Rui Barbosa.

Não tinha tempo para pôr um band-aid ou esparadrapo. Não podia parar. Tinha que andar rápido, pra não perder o rumo e nem o ônibus.

Ao chegar na praça, chamava atenção o vermelho da carne viva. E como aquilo ardia!… tanto quanto as gotas de sal que os meus olhos insistiam em derramar.

Mas as gotas secaram. O machucado sarou. E no final ficou este calo.

A pele cicatrizada se tornou mais espessa, e eu tenho certeza de que a partir de agora não se machucará mais tão facilmente; a pele maculada foi o preço, que agora, que já não dói tanto, me parece ser mais aceitável.

Calos ainda são feios. Mas não tão chatos. E não mais tão inconvenientes.

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