Frio

Dom 25/05/2014

Hoje eu acordei com frio. Acordei por estar com frio, mais precisamente.

Os curitibócas mais xiitas me diriam “mas nem esfriou ainda!”. E eu sei disso.

Mas ultimamente eu tenho sentido mais frio que o normal.

Não foi porque me faltam cobertas, cobertores e/ou edredons – se bem que um de fato foi deixado “pra trás” –, ou mesmo porque alguém xs puxou de mim; foi porque uma coberta acabou escorregando para o chão.

Tenho enchido a minha cama delxs pois, ao contrário do que diz a ciência (mas não a minha lógica), por mais que meu corpo tenha que baixar um pouco a temperatura, não consigo dormir se eu sentir frio. Me encho delxs mesmo que de manhã eu acorde suada.

E também gosto de sentir o peso dos cobertores; no verão, quando fica mais leve, sempre parece que falta alguma coisa.

E falta mesmo – esteja quente ou frio.

Acho que não consigo gerar calor o suficiente, nem mesmo para mim mesma.

Sou pequena e, por mais que eu ache que a minha cama também é, parece que preciso preencher todos os espaços vagos, pra me sentir mais relaxada e confortável.

Não só os da cama.

Wake up

“Somethin’ filled up
my heart with nothin’,
someone told me not to cry.

But now that I’m older,
my heart’s colder,
and I can see that it’s a lie.

Children wake up,
hold your mistake up,
before they turn the summer into dust.

If the children don’t grow up,
our bodies get bigger but our hearts get torn up.
We’re just a million little gods causin’ rain storms turnin’ every good thing to
rust.

I guess we’ll just have to adjust…”

Calos

3:02, Qui 06/02/2014

Calos são feios. Chatos. Inconvenientes.

Poderia ter um em cada pé, depois de inúmeras vezes usando as sapatilhas que eu tanto gosto (elas costumam ser uma graça; parecem coisa de boneca, e penso que me dão um ar delicado, que eu normalmente julgo não ter. Mas não têm nenhuma dó ou piedade dos pés, e inevitavelmente machucam, ainda mais dependendo de onde ou por quanto tempo eles resolvam caminhar). Mas não.

Percebi um no meu pé, na parte de trás, do calcanhar. Se formou em um só. Pé esquerdo. E eu sei exatamente por qual dia foi; lembro do dia como se tivesse sido hoje.

Uma péssima tarde, de um dia que até então tinha sido bom, e que tinha tudo pra evoluir para uma noite excelente. Andando, pela XV, caminho de volta, até a Rui Barbosa.

Não tinha tempo para pôr um band-aid ou esparadrapo. Não podia parar. Tinha que andar rápido, pra não perder o rumo e nem o ônibus.

Ao chegar na praça, chamava atenção o vermelho da carne viva. E como aquilo ardia!… tanto quanto as gotas de sal que os meus olhos insistiam em derramar.

Mas as gotas secaram. O machucado sarou. E no final ficou este calo.

A pele cicatrizada se tornou mais espessa, e eu tenho certeza de que a partir de agora não se machucará mais tão facilmente; a pele maculada foi o preço, que agora, que já não dói tanto, me parece ser mais aceitável.

Calos ainda são feios. Mas não tão chatos. E não mais tão inconvenientes.