Divagação 4: sobre as canções (não) ouvidas

1:13, Dom 14/09/2014

Estava na festa dela, quem diria. Essa vida é mesmo… “curiosa”.

Eu escuto as pessoas cantando, também canto um pouco junto, na minha, e então começa uma música especial.

Eu paro. Até a respiração cessa por um momento. Meu olhar se perde, e não só o meu rosto, mas o corpo todo congela na posição.

Lembro que foi numa situação meio incomum e até mesmo engraçada que eu fui apresentada a ela: voltando “alegrinha” de um bar, da “boemia”, em agosto do ano passado, da despedida de uma amiga.

Ele me encontrou no meio do caminho, e voltamos de mãos dadas. Recitou alguns versos, perguntou se eu conhecia (e ficou surpreso quando eu disse que não), e riu da minha cara, porque o meu riso estava fácil, os pés vacilantes, e os pensamentos lentos.

Brinquei que não era eu, e que naquele dia ele iria dormir com o meu alterego.

Acordei antes de amanhecer, numa manhã de sexta, pra pegar um taxi; no entanto, naquela hora, já era eu novamente.

Não sei até agora como essa música não entrou na lista das “dolorosas demais pra se escutar em dias ‘não tão bons'”. Algumas das outras ainda me doem muito, e eu as pulo no celular – mas não as deleto de fato. Pra que sirvam de lembrete, talvez – mas não sei “lembrete” do que exatamente.

Ou talvez eu ainda a escute porque, além de ser linda, ela me traz lembranças de, não só uma noite, mas de toda uma época muito mais do que boa e possivelmente melhor.

Foi nesse mesmo bar que gosto muito que, coincidentemente, a vi meses depois, em maio deste ano.

Ainda sentia muita dor, então, num pré-feriado, chamei uma amiga pra me acompanhar naquela noite. Eu sentia que precisava espairecer, e aquela parecia ser uma ótima oportunidade.

Logo que entramos eu já dei de cara com ela, e tive que me controlar muito para não virar uma estátua no mesmo lugar. Por alguns segundos fiquei muda e sem reação.

Até hoje não sei se ela me viu (e nem acho que saberei). Quando contei ás pessoas sobre o ocorrido, brinquei (mas aquilo bem podia ser verdade): ela me pareceu “tão alta, mas tão alta, que talvez nem tenha me visto!”; sempre fui e pra sempre serei pequena assim. “Pequetita”, ele diria.

Nas fotos havia achado-a mais bonita, mas, mesmo ao vivo, era inegável a sua beleza e a sua presença (até porque ela é a própria personificação da imagem de uma amazona mitológica!).

Fui ao banheiro com a minha amiga, e tentei me ajeitar em frente ao espelho. Me senti literalmente pequena. Muito feia.  Desprezível. Inferior. Abandonada. Fracassada.

Lembrei daquele sonho, com ela. Com eles. Que me fez acordar assustada e ter uma crise de ansiedade tensa. Mas aquilo não haveria de se repetir ali.

Tremendo eu subi para o mezanino, pois precisava me afastar e tentar esquecer. Me frustrei; pensei “até aqui?! Num dos poucos lugares que eu realmente gosto de vir?!”.

Pior do que aquilo só se ele estivesse lá também. Mas me lembrei que ele provavelmente não teria ido, pois não gostava desse tipo de lugar (em mais de uma vez deixou de me acompanhar por isso). Por outro lado, era ela (não eu).

Pedi uma dose e virei de uma só vez. Eu ia dirigir, mas aquilo me pareceu mais necessário, ainda que fosse somente simbólico. Foi só pra tomar “coragem”, eu sei. Entra aí a minha – boa – amiga, que nada falou além de “se precisar eu dirijo”.

Hesitei, mas decidi ficar. Tentei dançar, esquecer (“tentar” e “esquecer” parecem ser sempre as palavras-chave, haha). Caída do céu veio “Dancing with myself”: comecei, com muito esforço, a exorcizar de mim a vergonha e o sentimento de inferioridade, enquanto me movia desajeitadamente e declamava a letra da música a plenos pulmões.

Me lembro de uma outra do Billy Idol, que tem a ver com outro momento. E do Zeca, de novo. Da Corinne. Dos Kooks. Do Geraldo Azevedo. Até do Peninha, bendito!

Lembro do que ele cantou. Do que eu cantei. De tudo o mais que eu deveria e queria ter cantado (mas não o fiz, por falta de tempo hábil e por embaraço), e do que a gente deveria ter cantado juntos – mas que não cantou, e nem vai mais.

Agora eu percebo que a playlist é muito grande, assim como todo o resto do acervo das minhas memórias.

Tenho procurado coisas novas, e vez ou outra encontro algo interessante. Mas é difícil me desapegar.

Já está mais do que na hora de descobrir um novo som.

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