Lírios

Em cima da mesa estão os lírios, suas favoritas. Não são da cor que eu queria, mas foi o que eu consegui achar. São lindas, ainda assim.

Comprei no mesmo lugar que da outra vez, naquele sábado tão bonito e ensolarado em que eu não precisei trabalhar, depois de sair da casa dele. Lembro daquele senhor chileno, na Osório, me contando uma história do seu passado e me dizendo (enquanto eu esperava vocês) que lírio em espanhol é “azucena”. Que coincidência, né?

Elas estão finalmente se abrindo, mas, infelizmente, você não está aqui agora pra ver. Decidi trazê-las ainda fechadas, pra que não se destruíssem no ônibus, no caminho pra casa.

O cheiro é inconfundível, inunda a sala, a copa e a cozinha, e me faz lembrar você.

Não sei dizer quando foi que a gente se perdeu, nem mesmo qual é a (força da) conexão que ainda nos une. Mas, mesmo que fraquinha e raquítica, de alguma forma, ela ainda está lá.

Assim como a primeira flor que se abriu, mas que já começou a se deteriorar.

Quem sabe enquanto elas estiverem vivas a gente ainda tenha do que falar.

Quando se forem todas… daí eu já não sei. Eu realmente não sei.

Mas elas estão plantadas em um vaso. Enquanto houver terra, as batatas ainda estarão lá. E talvez, um dia, poderão rebrotar.

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