Divagação

Toda sexta-feira de manhã eu tenho consulta com a psicóloga. Sim, eu tenho consultas com uma psicóloga. E sim, toda semana.

É bem legal no final das contas. Por N motivos. Eu acordo cedo pra caramba, mais ou menos como em vários outros dias da semana, mas neste em especial (e pra literalmente variar) é pra fazer algo pra mim mesma.

Eu gosto muito, de sair e de poder falar com ela. Clichê ou não: há muita coisa que atualmente eu só consigo confiar a ela. Mas o último mês foi bem complicado; faltou vontade de ir até lá. Em parte por querer ficar dormindo, mas também por estar decepcionada comigo mesma, e não saber bem o que dizer. Não é nem vergonha ou “travas e amarras”; é confusão mesmo.

E um sentimento intermitente de derrota, que alterna com as culpas (por não conseguir enxergar o meu próprio progresso, ou por saber que há coisas que eu continuo me infligindo, por exemplo).

Eu vou pro centro, o que é bem fora da minha rotina e do meu caminho da roça de cada dia. De ônibus, o que me dá tempo pra ler, escutar música, pensar, e ver como a cidade, as coisas e as pessoas estão mudando.

Não fosse o meu constante cansaço (que me motiva a voltar rapidamente pra casa), eu ia querer me enrolar, e ficar mais. Mas sozinha e sem um propósito as vezes é chato.

Curto muito mesmo andar pela XV, escutando músicas e pessoas. Vendo as cores e cenas que eu perco no dia-a-dia. Me sinto quase uma “caipira” desajeitada, passeando na cidade grande, vindo direto da sua pequena bolha (no) interior.

Há uns dois meses, enquanto tomava um café na praça Osório, eu escutava “She moves in her own way” da The Kooks. Antes de chegar a uma e outra música, que me trazem muitas lembranças, eu pensei o quanto sentiria falta disso tudo, mais especificamente dessa vida toda singular que eu vejo na XV e nesse pedaço do centro como um todo. Das cores da Riachuelo depois da reforma, e da beleza que eu descobri no Paço da Liberdade. Da Generoso Marques em geral. Dos lírios que eu as vezes compro lá. Das bandas e ideias que escutei pelo Largo. Das vidas e das histórias que eu conheci nos teatros daqui. E também das vidas e histórias que eu conheci na “vida real”.

Mais recentemente eu finalmente percebi que não há mais nada que de fato me prenda à cidade. Os motivos que me seguravam aqui, e que de fato eram mais do que importantes para mim, já se esvaíram mais ou menos “naturalmente” pelos meus dedos.

Pra um eu olho com profundo orgulho (quase maternal), e pro outro com mais profundo ainda pesar (saudoso e partido, por falta de denominações mais adequadas, ou vontade de explicar melhor).

E, desde então, eu venho falando a mim mesma que, talvez, seja mais do que hora pra mudar. Pra me mudar. Dar os devidos “adeus”, e partir.

O lugar – “meu” lugar – que eu tanto aprecio (sim, até certo ponto eu devo ser bem bairrista mesmo – como todx curitibóca que se preze) está começando a me intoxicar, a me (literalmente) adoecer e a me diminuir e anular.

Mas, sabe, o sentimento é verdadeiro; “eu poderei voltar quando você quiser”. Ou quando eu achar um novo motivo que me faça voltar.

 

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