A queda

Os primeiros golpes quase nem eram sentidos. Eram como tapas em um travesseiro.

Aos poucos a dor se fez presente, ao chocar os punhos, já fechados, contra a parede. Os nós dos dedos começaram a avermelhar, e logo já se encontravam inchados e calejados.

Por fim o sangue vertia e pingava por entre os dedos, ao desferir murros contra pontas de facas.

O que era normal, e talvez até saudável, se tornou obsessivo, compulsivo, doentio. Já não conseguia mais parar. Era como se estivesse preso ao movimento, repetitivo, e não mais conseguisse quebrar o ciclo.

Não via como ou por que parar, até que aquilo tivesse sido derrubado.

Abriu as mãos e com as unhas, em movimentos frenéticos e desesperados, começou a raspar, até que as mesmas dolorosamente se quebraram todas, e as pontas dos dedos formaram bolhas, que depois ficaram, de maneira agoniante, em carne viva.

Continuou nisso por horas. Dias. Meses. Anos?

Num fio de voz disse a si próprio “isso não vai se abrir. Não vai tombar. Eu não vou conseguir”.

Então, enfim, ele mesmo caiu.

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