Try, and be yourself

Por alguns tempos eu esqueci, mas, agora, ao olhar pra baixo e pros lados, logo lembrei de vocês (e me senti mal por ter me distanciado tanto).

Gentilmente vocês me perguntaram “você está pronta?”, e eu respondi, com alguma coragem, resolução, esperança (that’s new… haha), e o que me resta de convicção: “SIM”.

Vocês ainda me disseram “então comece a se levantar. Se quiser, agora você ainda pode se apoiar, no chão, por exemplo, mas tenha certeza de que será só por um tempo; logo as tuas pernas serão o suficiente para te sustentar”.

Nunca fui ingrata (no máximo, e somente em alguns momentos, avoada), então agradeci, de maneira entregue e sincera.

E sorri.

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Same mistake

Saw the world turning in my sheets and once again I cannot sleep.
Walk out the door and up the street; look at the stars beneath my feet.
Remember rights that I did wrong, so here I go.
Hello, hello. There is no place I cannot go.
My mind is muddy but my heart is heavy. Does it show?
I lose the track that loses me, so here I go.
And so I sent some men to fight, and one came back at dead of night.
Said he’d seen my enemy. Said he looked just like me,
So I set out to cut myself and here I go.
I’m not calling for a second chance,
I’m screaming at the top of my voice.
Give me reason but don’t give me choice.
‘Cause I’ll just make the same mistake again.
And maybe someday we will meet, and maybe talk and not just speak.
Don’t buy the promises ‘cause, there are no promises I keep.
And my reflection troubles me, so here I go.
I’m not calling for a second chance,
I’m screaming at the top of my voice.
Give me reason but don’t give me choice.
‘Cause I’ll just make the same mistake,
I’m not calling for a second chance,
I’m screaming at the top of my voice.
Give me reason but don’t give me choice.
‘Cause I’ll just make the same mistake again.
Saw the world turning in my sheets and once again I cannot sleep.
Walk out the door and up the street; look at the stars.
Look at the stars fall down.
And wonder where did I go wrong.

Not today

“hoje é quarta, tô saindo mais cedo do trabalho, e amanhã eu não preciso acordar cedo. Já sei! Vou…” pra casa. Eu vou pra casa.

Tá na hora de sair. Mas acho que tô esquecendo de alguma coisa. Alguma coisa… mas… o quê?!

Procuro nos bolsos, abro a bolsa. As chaves estão na mão. Não sei…

Ah… não.

Não esqueci de nada.

Toca uma música, um “pop bizarro”; curti. Procuro a letra, e começo a cantarolar. Como uma comida; estava insossa, e eu sei como poderia ficar melhor. Na verdade acho que o problema é que eu não estava com fome. Não tenho tido fome. Melhor nem comer. Abro o e-mail brazilians of times durante o dia, mas só recebo ofertas e anúncios, que eu vou deletando sem nem abrir; não é isso que eu gostaria de ler. Vejo uma imagem, que eu salvo, pra depois poder… deixar sentada, quietinha no meu pen drive? Leio uma frase, que me faz pensar no que está acontecendo.

O que está acontecendo mesmo?

Alguma coisa tá fora do lugar. Parece que um buraco me espreita. Eu tô sentindo que vou ser engolida pelo vácuo. Os meus ouvidos parecem estar tapados, me impedindo de escutar as coisas com clareza, como acontece quando a gente passa dirigindo pela serra. E esse vazio…

O que é que tá acontecendo?!

A ficha ainda não caiu.

Ah… ah.

O fim de semana vai chegar, e eu não vou te encontrar. Eu vou querer te comprar cravos e meias, mas não vou poder te entregar. Eu vou tirar minhas roupas, e você não vai ver. Vou sair do banho e passar um perfume, mas você não vai sentir. E eu vou sorrir, mas você não vai presenciar isso.

Eu não quero mais sair de casa. Não vejo mais por que passar perfume. Não quero mais sorrir.

Sei que te prometi, mas eu não quero mais sorrir.

Not today.

*                          *                        *                       *                      *                       *

 

That’s gonna hurt like hell in 4… 3… 2… 1…

Kuarup

Image

Os troncos são cortados, e simbolizam pessoas; de fato é este o objetivo do ritual: homenagear os que não mais estão ali.

Apesar do choro e das lamentações, esta é, no final das contas, uma celebração. Por dias os índios, convidados ou da própria aldeia, dançam e realizam seus rituais ao redor dos troncos, que ficam enfiados no solo. Eles são enfeitados, com tintas, plumas, e tudo o mais que ao vivo pertencia.

Ao final, os troncos são retirados do solo e rolados para algum corpo d’água, como uma lagoa ou um rio. Os espíritos estão finalmente livres para deixar este mundo. “Nesse momento os índios choram, pela última vez, a memória dos seus mortos”*.

O Kuarup é o ritual do último adeus.

 

A queda

Os primeiros golpes quase nem eram sentidos. Eram como tapas em um travesseiro.

Aos poucos a dor se fez presente, ao chocar os punhos, já fechados, contra a parede. Os nós dos dedos começaram a avermelhar, e logo já se encontravam inchados e calejados.

Por fim o sangue vertia e pingava por entre os dedos, ao desferir murros contra pontas de facas.

O que era normal, e talvez até saudável, se tornou obsessivo, compulsivo, doentio. Já não conseguia mais parar. Era como se estivesse preso ao movimento, repetitivo, e não mais conseguisse quebrar o ciclo.

Não via como ou por que parar, até que aquilo tivesse sido derrubado.

Abriu as mãos e com as unhas, em movimentos frenéticos e desesperados, começou a raspar, até que as mesmas dolorosamente se quebraram todas, e as pontas dos dedos formaram bolhas, que depois ficaram, de maneira agoniante, em carne viva.

Continuou nisso por horas. Dias. Meses. Anos?

Num fio de voz disse a si próprio “isso não vai se abrir. Não vai tombar. Eu não vou conseguir”.

Então, enfim, ele mesmo caiu.

Não me peça para lembrar,
não tente me fazer entender.
Me deixe descansar e saber que você está comigo,
beije a minha bochecha e segure a minha mão.

Eu estou confusx além do seu conceito,
Eu estou triste e doente e perdidx.
Tudo que eu sei é que eu preciso
que você esteja comigo a todo custo.

Não perca sua paciência comigo,
não me repreenda, xingue ou chore.
Eu não posso evitar a maneira que estou agindo,
eu não posso ser diferente apesar de tentar.

Só lembre que eu preciso de você,
que a melhor parte de mim já se foi.
Por favor não falhe em estar ao meu lado,
me ame até que minha vida se vá.