Sonho 9 — A viagem para a praia

Madrugada de 04 para 05/09/17:

 

Estamos deitados, de frente um para o outro. Nos olhamos e fazemos carinho no rosto um do outro — sem o “””clima de guerra””” que eu poderia esperar.

Ele fala algo sobre ficarmos juntos… talvez? Não consigo lembrar.

Eu levanto na cama, e olho pela janela, que estava logo acima. Lá fora vejo o mar bastante verde, e muitas palmeiras. O dia é intensamente ensolarado, e no céu azul não há nenhuma nuvem. Imagino que o vento que movia as folhas das árvores devia estar aliviando um pouco o calor.

Fico irritada, e lhe digo que ele poderia ter tido tudo aquilo — COMIGO. Que aquele era literalmente o (ou melhor, praticamente o único) plano.

Ele fica contrariado…

 

 

[Fico “satisfeita”; pelo menos dessa vez o meu consciente e o meu sub/inconsciente (?) parecem estar em sintonia

 

“(…) She’s still here fighting… better know there’s life in her yet (…)” ]

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You want a war?

 

Do you want a war EP11S02.png

Amanita — Here’s the thing…: we all wake up and we have to tick the same Terms and Conditions box.

Everyday stuff will happen to you. Some of it will be good. Some of it will be bad.

Choice is less about what happens than it is about how we deal with it.

[she gets out of bed]

I’ve been thinking a lot about all the things that have happened to us over this past year. I won’t lie: sometimes it’s terrifying. And sometimes it’s incredibly exciting.

It’s been maddening… enlightening… confusing… and always unpredictable.

However, I don’t think there’s been a single day when I didn’t hear that same voice in my head telling me: ‘Whatever you do… do not let her go’.

[she gets a small box from a cupboard; she goes up the bed, opens it, and inside there’s an engagement ring]

Nomi Marks… Will you marry me?

[Nomi gasps]

Nomi — Oh, my God… Oh, my God, I don’t believe this.

Amanita — What?!

[Nomi gets a box under the bed, and takes from it a smaller box; she opens it, and there’s also an engagement ring in it]

Nomi — Amanita Caplan, will you marry me?

[they laugh]

Amanita — Abso-fucking-lutely!… You?!

Nomi — Every day of my life.

 

Sense8 (Netflix, 2017), Season 02, Episode 11.

Minha revolução/ Mi revolución

 

“Hoje, a luta que enfrento é me aceitar
Hoje, o veneno encontrou seu remédio
Hoje, eu peço perdão se eu machuquei meu coração
Hoje, não quero o que me faz mal
O escuro do jogo

(…)”

“(…) Esa es mi revolución
Llenar de amor mi sangre
y si reviento
Que se esparza en el viento
El amor que llevo adentro

(…)”

 

Que eu lute essa luta — e ganhe sempre.

 

The score of the end

 

“(…) Now I have come to understand the way it is… (…)”

Wrong…

“(…) and now that I’m a little older…. this is what I meant to say… Babe, I… already miss you…”

Wrong….?

“(…) Hang in there baby, sooner or later… I know I’ll get it right (…)”

Wrong!

“(…) Não é mais dia 36
Tudo começa outra vez
Esquece e não pensa mais…”

Or so I hope.

“(…) I have a headache in my chest, from all the chaos that you left… (…)”

Right…

“(…) Take my tears and that’s not nearly all!… Tainted love… (…)”

Right!…

“(…) ‘Cause we both know I’ll never be your lover
I only bring the heat
Company under cover…
Filling space in your sheets (…)”

Painfully right, from the first time I’ve heard.

“(…) I’m so sorry for that ghost I made you be
Only one of us was real
And that was me
(…)
And I wish there was a treaty we could sign
I do not care who takes this bloody hill
I’m angry and I’m tired all the time
I wish there was a treaty, I wish there was a treaty
Between your love and mine”

Wrong!… and right.

“(…) Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here
What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way…”

That’s unfortunately right.

But/And so I will.

 

Dia 36

 

Um grito ele amou
Lençóis e colchas vão se encontrar
Não é mais dia 26 (…)”

 

Hoje eu já chorei. Mas preciso chorar muito mais — até que, quem sabe, passe esse desejo de não mais viver.

Escutando uma música muito bonita e triste, que me acompanha desde a adolescência, não consegui segurar minhas lágrimas; pensei em todas as coisas que me oprimem — inclusive e principalmente as saudades.

Saudades do meu pai (e dos tempos em que nossa relação era melhor — e existente), de momentos de mais carinho, de épocas nas quais ainda não havia ouvido tantas palavras duras e nem havia apanhado tanto de pessoas próximas, de quando eu era uma criança de 5 anos, tagarela e feliz, de ser mais ingênua, de abraços e colos, de sentir que meus esforços valeriam a pena, de sentir e saber que ainda tenho apoio e alguém que quer e vai tentar me entender, dos meus 17, quando eu ainda tinha esperanças mais descomplicadas de achar meu rumo na vida (ainda que eu já soubesse que havia algo de errado), de ter mais tempo e sanidade, de me sentir menos cansada e com menos dor, de não me sentir preterida, inferior e indigna, de ter planos mais concretos, de saber lidar de forma mais leve com as minhas responsabilidades, de momentos do passado e de acreditar que há um futuro, … de amar de modo sincero e sem travas e de me sentir amada.

Saudades do amor.

Hoje eu já não quero mais pensar. Hoje já não é mais dia 26 — e nunca mais será.

28/05: Nesta tarde me abri com uma amiga. Contei pra ela coisas que penso há tempos, em relação a como me sinto, e que nunca havia contado pra ninguém. Ela me perguntou se eu pretendia fazer alguma coisa “reckless, let’s put it this way”, e eu lhe disse que não, que ela podia relaxar.

Mas, na verdade, na verdade, eu só acho que não. Quer dizer… o que é de fato ‘reckless’?

 

18 de maio de 2017, antes das 6am 

 

Ontem foi dia 17. E eu me lembrei. 

Eu lembro de “tudo”; não ia lembrar disso?! Antes mesmo da meia noite de ontem isso já povoava minha cabeça.

Hoje acordei e não tive nenhum daqueles sonhos. Talvez eu não devesse cantar tão cedo, mas não deixa de ser uma pequena “””vitória”””.

Mas os “temores” ainda são bem reais, e as marcas vermelhas no meu nariz são inegáveis; somatização é mesmo um negócio fabuloso. Definitivamente deveria ser estudado.

Oh, wait…

Entre sonhos ruins e saudades, acho que ainda prefiro a segunda; acho que consigo me esquivar melhor dos jabs e diretos dela, do que das chaves asfixiantes da primeira.

Ainda assim, humildemente reconheço o potencial destrutivo de ambas; mesmo seus mecanismos não são lá tão diferentes.

A saudade é mais silenciosa e nos enlaça aos poucos em sua própria chave.

De qualquer forma, e sendo bem otimista, as duas me” inspiram”.

Mas acordei hoje com aquela música na cabeça.

E, há alguns minutos, logo após sair do banho, me lembrei: a maldita “mandinga” da porta, haha. É, ela não funciona.

 

PS: Não foi muito depois que soube da morte do Chris Cornell. Quão “bobo” é dizer que isso me deixou profundamente chateada?!

Fiquei triste mesmo, em níveis pouco óbvios de se expressar. 

“(…) Don’t lose any sleep tonight

I’m sure everything will end up alright

You may win or lose

But to be yourself is all that you can do…”

 

 

A Caverna²

 

Hoje é dia dezessete de maio de dois mil e dezessete. As últimas duas semanas não têm sido leves ou fáceis. 

Me sinto confusa e incapaz de estabelecer certos limites — muitos deles, inclusive, dentro da minha própria mente. 

(Ainda) me sinto como uma prisioneira da minha própria caverna.

Mas eu quero — E VOU — ver a minha luz.

 

(…) Marta disse que se ele tinha pensamentos desses deveria partilhá-los com a filha que ali estava, ao que Cipriano Algor respondeu que falar-lhe dos pensamentos que tinha seria como chover no molhado, porque ela os conhecia tão bem ou melhor do que ele próprio, não palavra a palavra, claro está, como o registro de um gravador, mas no mais profundo e essencial, e então ela disse que, em sua humilde opinião, a realidade era precisamente ao contrário, que de essencial e profundo nada sabia e que muitas das palavras que ouvira não passavam de cortinas de fumo, circunstância por outro lado nada estranhável porque as palavras, muitas vezes, só para isso servem, mas há pior ainda, que é quando elas se calam de todo e se convertem num muro de silêncio compacto, diante desse muro não sabe uma pessoa o que há-de fazer, Ontem a noite fiquei aqui à sua espera, ao cabo de uma hora o Marçal foi para a cama, e eu esperando, esperando, enquanto o meu senhor pai andava a passear com o cão lá não sei por onde, Por aí, Claro, pelo campo, realmente não há nada mais agradável do que andar pelo campo à noite, sem ver onde estamos a pôr os pés, Devias ter-te deitado, Foi o que acabei por fazer, naturalmente, antes que me transformasse em estátua, Então está tudo certo, não se fala mais no assunto, Não está tudo certo, não senhor, Porquê, Porque o pai me roubou o que eu mais desejava naquele momento, E que era, Vê-lo voltar, apenas isso, vê-lo voltar, Um dia compreenderás, Espero bem que sim, mas não com palavras, por favor, estou farta de palavras. Os olhos de Marta brilhavam rasos de água, (…).

A Caverna. SARAMAGO, José, 2000, p. 266 (grifo próprio).